MADRID, 6 jul. (EUROPA PRESS) -
Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente cubano Raúl Castro, afirmou estar disposto a “negociar” com o governo dos Estados Unidos o futuro de Cuba, declarações que surgem em meio ao aumento da pressão exercida pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre Havana.
“Posso negociar com qualquer pessoa designada pelos Estados Unidos”, afirmou Rodríguez em entrevista ao jornal ‘USA Today’. “Se me derem a oportunidade, (é claro) com o Trump”, afirmou ele, antes de demonstrar a disposição da ilha em libertar, “em condições adequadas, aqueles que são considerados presos políticos”.
Rodríguez, de 42 anos e conhecido entre os cubanos como “El cangrejo”, afirmou assim que não se considera um político: “nunca me interessei por política”. “Mas se, em algum momento, a revolução me pedir, eu o faria”, declarou ele, antes de garantir que “nunca sacrificaria os princípios da Revolução Cubana de 1959 nem a soberania do país”.
“Os homens que fizeram essa revolução eram justos, mas não eram tolos. Minha avó era uma pessoa extremamente gentil. Ela me ensinou o papel que a mulher cubana deveria ter na sociedade”, declarou Rodríguez. “Dói muito para mim que as pessoas não possam viver como eu. Minha maior tristeza é ver as pessoas passando por dificuldades. Mas eu me levanto todos os dias para reverter essa situação”, acrescentou.
Fora de Cuba, Rodríguez continua sendo uma figura praticamente desconhecida e não ocupa nenhum cargo oficial no governo. Ela raramente aparece na mídia estatal cubana e nunca havia concedido uma entrevista a um veículo de comunicação norte-americano. No entanto, muitos apontam que ela poderia estar em posição de negociar o futuro do país.
Cuba enfrenta uma crise crescente diante do bloqueio econômico, da situação humanitária precária e da falta de energia elétrica. Além disso, enfrenta as ameaças de Washington, que colocaram em pauta a possibilidade de a ilha ter um destino semelhante ao da Venezuela, onde o Exército dos Estados Unidos realizou, em janeiro, uma operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Raúl Castro, de 95 anos, foi indiciado no final de maio pela Justiça norte-americana em relação ao abate, em 1996, de dois aviões civis em águas internacionais pertencentes à organização de exilados cubanos “Hermanos al Rescate”, um incidente que resultou na morte de três americanos e de um residente nos Estados Unidos.
Conforme consta na acusação formal, Castro e cinco co-réus participaram de uma conspiração que “culminou no lançamento de mísseis a partir de aeronaves militares cubanas contra aeronaves civis, causando a morte de quatro cidadãos”, conforme indicaram os promotores norte-americanos.
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