Israel se reserva o direito de continuar atacando "fora de suas fronteiras", como os EUA fizeram após o 11/9.
MADRID, 15 set. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, realizaram uma reunião simbólica em Jerusalém na segunda-feira, na qual, pelo menos publicamente, evitaram destacar as discrepâncias entre os dois países sobre o recente ataque israelense ao Catar, enfatizando que compartilham uma "batalha comum" contra o Hamas.
Para Netanyahu, "é óbvio que Israel não tem melhor aliado do que os Estados Unidos" e, em particular, seu "amigo pessoal" Donald Trump, o atual ocupante da Casa Branca. Em uma aparição ao lado de Rubio, ele lembrou que é precisamente graças a essa aliança e ao bombardeio do Irã neste ano que o Oriente Médio é agora uma região "muito menos perigosa".
"Eles veem Israel na linha de frente da civilização americana", explicou Netanyahu, mais uma vez desassociando os Estados Unidos do bombardeio de uma delegação de negociação do Hamas em Doha na semana passada, que foi criticado publicamente por Washington.
"Foi uma decisão completamente independente" e "assumimos total responsabilidade", enfatizou o líder israelense. Netanyahu argumentou que os terroristas não podem ter proteção em nenhum país e, sem descartar futuros bombardeios fora de Israel, disse que a lei internacional garante isso.
Em sua opinião, "tem havido grande cinismo e hipocrisia" nessa questão. Ele voltou ao rescaldo dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos para salientar que "os países que agora estão condenando Israel não se manifestaram na época para dizer que coisas terríveis estavam sendo feitas".
Cinco membros do Hamas e um agente do Catar foram mortos no bombardeio, que inicialmente não causou vítimas entre os comandantes seniores do grupo palestino. Netanyahu, questionado sobre esse ponto, disse que os serviços de inteligência israelenses ainda estão reunindo "relatórios finais", mas acredita que o impacto real é a mensagem enviada aos terroristas: "Vocês podem correr, mas não podem se esconder".
"EXTERMINAR" O HAMAS
Horas depois de Trump ter dito que o Catar é "um grande aliado" dos Estados Unidos e ter instado expressamente Israel a ser "muito, muito cuidadoso" em suas ações, Rubio evitou qualquer indício de crítica durante a aparição, dizendo que se tratava de "focar no que acontecerá em seguida" e confiar nos "fortes relacionamentos" de Washington com seus parceiros do Golfo.
O futuro de Gaza, tanto para Netanyahu quanto para Rubio, está na "eliminação" do Hamas. "O povo de Gaza merece um futuro melhor, que não começará até que o Hamas seja eliminado e todos os reféns, vivos e mortos, estejam em casa", enfatizou o secretário de Estado dos EUA.
O primeiro-ministro israelense insistiu que a ofensiva militar continuará na Faixa até que não haja "ameaça" do enclave. "Se eles se rendessem, se depusessem suas armas, poderíamos continuar sem lutar", disse ele, de acordo com o discurso oficial de seu governo.
De fato, Netanyahu justificou operações como a demolição de grandes edifícios porque "eles servem como redutos do Hamas". "Não demolimos as torres para intimidar a população", acrescentou.
RUBIO E AS INICIATIVAS INTERNACIONAIS
Por outro lado, Rubio questionou os movimentos internacionais, "simbólicos" em sua opinião, para promover o reconhecimento do Estado palestino. "A maioria deles o faz por razões políticas internas", disse o chefe da diplomacia norte-americana, que não dirigiu críticas específicas a nenhum país, mas alertou para o risco que esse tipo de iniciativa tem para o próprio conflito.
"O Hamas se sente mais encorajado" e, portanto, "é mais difícil negociar com eles", argumentou Rubio, presumindo que Israel "reagirá" a qualquer um desses movimentos.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático