Publicado 27/06/2026 16:15

Netanyahu revela a área acordada com o Líbano para a manutenção da presença das tropas israelenses

Propõe a formação de um “amplo governo nacional” em Israel

Arquivo - Mapa da zona de segurança no sul do Líbano, onde Israel manterá presença militar
OFICINA DEL PRIMER MINISTRO DE ISRAEL

MADRID, 27 jun. (EUROPA PRESS) -

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, divulgou neste sábado o novo mapa da “zona tampão” prevista no “histórico” acordo assinado na sexta-feira entre os governos libanês e israelense, pelo qual este último poderá manter suas tropas em solo libanês enquanto não se concretizar o desarmamento do partido-milícia xiita libanês Hezbollah.

“Este acordo fortalece Israel e o Líbano e enfraquece o Irã e o Hezbollah”, afirmou Netanyahu em um discurso à nação sobre a “conquista histórica” assinada na sexta-feira, no qual detalhou a localização dessa nova Linha Amarela de posicionamento militar israelense.

O mapa da nova zona de segurança inclui toda a região situada ao sul do rio Litani até os territórios ocupados das Colinas do Golã e das Fazendas de Sheba, bem como vários enclaves ao norte do rio, como o estratégico Castelo de Baufort, uma antiga fortaleza cruzada que domina toda a região.

A principal novidade do acordo, explicada também por Netanyahu, é que Israel se retirará de dois distritos de Nabatiye — Zautar al Qarbiya e Frun, marcados em vermelho no mapa —, e nos quais será testada a capacidade das autoridades libanesas de desarmar o Hezbollah.

“Israel permanece na zona de segurança amarela que nos mantém a salvo. É uma conquista enorme. Enorme!”, argumentou Netanyahu, que, de qualquer forma, considera que o Líbano “tem mais trabalho a fazer” após o gesto “corajoso” de assinar o acordo-quadro. “É a primeira vez em décadas que dizem ao Hezbollah e ao Irã: ‘saiam daqui’. ‘Vamos fazer a paz com Israel, quer você goste ou não. Queremos fazer a paz com o Estado de Israel’”, explicou. As forças militares israelenses terão “liberdade de ação militar” nessa zona acordada com Beirute para responder a qualquer ameaça.

Agora, as Forças Armadas libanesas devem “fazer mudanças internas” porque “há jihadistas dentro desse exército”. “O governo libanês sabe disso e também precisa enfrentar essa questão. Evidentemente, vamos testar isso na prática”, afirmou.

Para Netanyahu, este acordo “é um indício do que está por vir”. “Continuaremos fazendo tudo o que for necessário para restaurar a segurança dos vizinhos do norte, assim como fizemos com sucesso no sul graças aos combatentes e à resistência dos habitantes do norte”, argumentou Netanyahu em seu discurso.

Além disso, ele destacou que o acordo confirma que Israel permanece no sul do Líbano, apesar de “todo tipo de pressão”. “Tentaram nos tirar de lá por todos os meios, com todo tipo de pressão. Isso, evidentemente, não aconteceu”, indicou ele antes de agradecer aos Estados Unidos e, especificamente, ao presidente Donald Trump e ao seu secretário de Estado, Marco Rubio, por sua mediação, “envolvimento e contribuição” para o pacto com o Líbano.

Netanyahu se referiu, assim, ao Memorando de Entendimento assinado pelos Estados Unidos e pelo Irã, que previa um cessar-fogo “em todas as frentes”, incluindo o Líbano. “Dissemos desde o início que não fazíamos parte do acordo entre os Estados Unidos e o Irã”, lembrou Netanyahu.

“Estamos quebrando o eixo diplomático iraniano. Conseguimos chegar a esse acordo-quadro por uma razão simples: pela força com que atacamos o Hezbollah”, destacou ele, antes de relembrar as explosões dos helicópteros, a morte do líder do grupo, Hassan Nasrallah, e os assassinatos seletivos dos comandantes das forças de elite do Hezbollah, a Força Raduán. “O Hezbollah esperava receber ajuda do Irã. Não a recebeu”, reforçou.

O Hezbollah possuía 150 mil mísseis e foguetes, segundo Netanyahu, mas Israel eliminou cerca de 90% dessas “enormes reservas” e “somente nas duas últimas semanas matamos mais de 200 terroristas”. No total, segundo o líder israelense, foram mortos “mais de 9.000” membros do grupo. “Estamos destruindo sua infraestrutura terrorista. Há bunkers, túneis, vilarejos terroristas. Estamos destruindo tudo”, destacou.

AMPLO ACORDO DE UNIDADE

No âmbito interno, Netanyahu levantou a necessidade de formar um “amplo governo nacional” assim que a “ameaça existencial iraniana” for “eliminada”. Essa coalizão “nos trará paz, cuidará dos resquícios do eixo iraniano e colherá os frutos de nossa vitória por meio de acordos diplomáticos como o que estamos firmando com o Líbano”.

“Todos são bem-vindos, desde que concordem que Israel é o Estado-nação do povo judeu”, afirmou. No entanto, ele advertiu que “todo o peso da lei recairá sobre quem não estudar a Torá, incluindo a prisão”.

Para o líder israelense, além dos inimigos externos, há quem espere “uma guerra civil”. “Eu digo, como Menachem Begin: ‘Chega de guerras civis. Não haverá uma guerra civil aqui’”, destacou. Para isso, ele considera necessário “um governo de ampla base, não um governo reduzido, não um de esquerda que dependa dos partidos árabes, mas um governo nacional de ampla base”, argumentou, referindo-se à última tentativa da oposição de governar Israel.

Netanyahu destacou que Israel “já alcançou a independência econômica” e energética, mas aspira à “independência em matéria de segurança” por meio da indústria de defesa e de armamento. “Simplesmente para reduzir nossa dependência de outros”, afirmou.

Quanto aos ataques com drones, ele observou que “ainda não terminamos”. “Temos trabalho a fazer, especialmente diante do problema global dos drones explosivos, e também nessa questão seremos os primeiros do mundo a encontrar uma solução”, previu.

E sobre o futuro dos territórios palestinos, Netanyahu insistiu sucintamente que “não há espaço para dois Estados entre o mar e o rio Jordão”. Sobre Gaza, Netanyahu reconheceu que o Hamas “mantém algumas capacidades civis”, pelo que “ainda temos trabalho a fazer”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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