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Smotrich pede maior controle israelense sobre a Cisjordânia em resposta à UE
MADRID, 11 maio (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, criticou a decisão da UE de abrir caminho para sancionar os colonos israelenses violentos na Cisjordânia e defendeu que seu país “está fazendo o trabalho sujo da Europa” com seus ataques ao Irã e “aos jihadistas”.
“Enquanto Israel faz o trabalho sujo da Europa, lutando pela civilização e contra os jihadistas lunáticos no Irã e em outros lugares, a União Europeia expõe sua falência moral ao propor uma falsa simetria entre cidadãos israelenses e terroristas do Hamas”, Movimento de Resistência Islâmica, afirmou Netanyahu em um comunicado oficial.
O líder israelense advertiu que os políticos europeus estão “sob pressão de seus eleitores radicais, mas punir judeus por viverem na Judeia e Samaria — Cisjordânia — é inaceitável”.
Netanyahu lembrou que “a Judeia é de onde vêm os judeus” e que “Israel sempre protegerá o direito dos judeus de viver em nossa pátria ancestral” diante das “tentativas da União Europeia de punir civis israelenses”, “mais um sinal de fraqueza” que “não terá sucesso”.
Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, rejeitou a medida “arbitrária e política”, que equipara os cidadãos israelenses aos “terroristas” do Hamas. É “indignante” que se esboce uma “comparação entre cidadãos israelenses e terroristas do Hamas”. “Trata-se de uma equivalência moral completamente distorcida”, denunciou.
“Nenhum outro povo no mundo tem um direito tão documentado e duradouro sobre sua terra quanto o que o povo judeu tem sobre a Terra de Israel”, sublinhou, insistindo no “direito moral e histórico” que, em sua opinião, também é reconhecido pelo Direito Internacional. “Nenhum ator pode arrebatá-lo do povo judeu. A tentativa de impor opiniões políticas por meio de sanções é inaceitável e não terá sucesso”, afirmou.
TRANSFERÊNCIA DE TERRITÓRIOS
Por sua vez, o ministro das Finanças de Israel e líder do partido ultranacionalista Partido Sionista Religioso, Bezalel Smotrich, instou Netanyahu a aprovar ainda nesta segunda-feira uma transferência de territórios das zonas A e B, sob administração da Autoridade Palestina, para a Zona C, com maior controle israelense.
"Apresentei ao primeiro-ministro um plano para a transferência de zonas estratégicas da Judeia e Samaria (Cisjordânia) das zonas A e B para a Zona C. Exorto o primeiro-ministro a responder a isso com uma reunião do Conselho de Ministros ainda esta tarde para aprová-lo", afirmou em uma mensagem publicada nas redes sociais.
De acordo com os acordos entre palestinos e israelenses que criaram, em 1994, a Autoridade Nacional Palestina, esta detém o controle administrativo e de segurança da Zona A — 3% da Cisjordânia —, enquanto a Zona B — 30% da Cisjordânia — está sob controle administrativo palestino e controle de segurança israelense, e a Zona C está totalmente sob controle israelense.
O influente político de extrema direita criticou uma “hipocrisia europeia” que “bate recordes” e alertou que “é preciso deixar claro para o mundo que quem tentar enfraquecer nosso controle sobre a Judeia e Samaria conseguirá exatamente o contrário”.
Para Smotrich, a Cisjordânia é “o cinto de segurança de Israel” e ele denunciou que a UE “tenta transformar o conflito nacional contra o terrorismo palestino em algo criminoso”. “Vamos continuar reforçando os assentamentos, aprofundando nosso controle sobre a Terra de Israel e combatendo o terrorismo sem medo”, argumentou.
Também o ministro da Segurança Nacional e líder do partido Poder Judaico, Itamar Ben Gvir, criticou a decisão da UE, que qualificou de “antisemita”. “Esperar que a União tome uma decisão moral é como esperar que o sol nasça pelo oeste”, afirmou.
“A União Europeia tenta amarrar as mãos daqueles que se defendem enquanto nossos inimigos nos atacam e assassinam judeus”, garantiu. Por isso, ele pede medidas concretas ao governo para proteger os “maravilhosos” colonos dessas “sanções vergonhosas”, que considera uma “perseguição política” que “Israel não vai tolerar”.
“A colonização não se intimida. Vamos continuar construindo, plantando, protegendo e nos estabelecendo por toda a Terra de Israel”, reforçou.
Nesta segunda-feira, os 27 deram o passo de aprovar sanções contra colonos responsáveis por atos de violência contra palestinos, em uma manobra celebrada pela própria Alta Representante para a Política Externa, Kaja Kallas, que afirmou que “já era hora de passar do bloqueio à ação” porque “os extremismos e a violência têm consequências”, em alusão aos despejos, demolições, confiscações e transferências forçadas de palestinos da Cisjordânia por parte dos colonos israelenses.
O acordo, que agora deve ser concretizado no âmbito jurídico, foi fechado após se alcançar a unanimidade de todos os Estados-membros no Conselho de Relações Externas (CAE), realizado nesta segunda-feira em Bruxelas, uma decisão que a própria Kallas havia solicitado horas antes, depois que na última reunião de ministros não se chegou a nenhum acordo para sancionar Israel por sua ofensiva contra a Palestina e o Líbano.
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