Ilia Yefimovich/dpa - Arquivo
O presidente israelense disse que estudará a solicitação e prometeu que "levará em conta apenas os interesses" do país.
MADRID, 1 dez. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, decidiu manter o indulto para evitar uma possível condenação judicial pelos casos de corrupção que continuam abertos contra ele, uma decisão que divide o país e já provocou muitas críticas da oposição.
Netanyahu, que pediu ao presidente do país, Isaac Herzog, que lhe desse uma mãozinha para ser exonerado e definitivamente liberado de todas as acusações contra ele, citou o interesse nacional como o principal motivo para sua liberação da pressão judicial.
A ideia de fazer esse pedido estava em andamento há meses, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu em outubro, durante um discurso no próprio parlamento israelense, que Netanyahu deveria ser libertado desses processos judiciais.
Ao discursar no Knesset, o magnata de Nova York minimizou a importância do suposto crime do primeiro-ministro de aceitar presentes como chefe de governo: "Charutos e champanhe, quem se importa? Na mesma linha e há quase três semanas, Trump enviou uma carta ao presidente israelense para promover a ideia de um perdão.
O ocupante da Casa Branca expressou repetidamente sua surpresa com a ideia de Netanyahu estar envolvido em um processo judicial que ele considera "politicamente motivado" e descreveu as acusações como "injustas", com as quais "só se busca prejudicá-lo".
Esse discurso está de acordo com os argumentos apresentados nos últimos anos pelo próprio Netanyahu, que se define como vítima do sistema judicial em um momento "muito delicado" para o país. Ele sustenta que há uma "conspiração" contra ele e afirmou que o fim do julgamento poderia "desarmar" a situação na região.
AS ACUSAÇÕES CONTRA ELE
Netanyahu foi indiciado em vários casos por uma série de crimes, incluindo fraude e suborno. De fato, ele conseguiu retornar ao poder para um sexto mandato com o processo já aberto, no final de 2022.
Entre as acusações contra ele está o abuso de poder por supostamente pressionar a mídia a divulgar informações favoráveis ao seu governo. Um dos casos remonta a 2000, quando ele supostamente tentou fazer um acordo com o jornal "Yedioth Aharonot" para obter uma cobertura positiva de seu governo em troca da aprovação de uma legislação que prejudicaria seu principal concorrente, o jornal "Israel Hayom".
Netanyahu tornou-se a primeira pessoa na história de Israel a ser indiciada enquanto exercia o cargo de primeiro-ministro. O mais sério dos casos contra ele é o chamado caso 4000, no qual ele enfrenta acusações de suborno, fraude e quebra de confiança por ter promovido regulamentações que beneficiaram o acionista majoritário do Bezeq Group, Shaul Elovitch, também em troca de uma cobertura favorável do portal Walla.
Ilan Yeshua, ex-diretor executivo do portal de notícias Walla, cujo testemunho é considerado fundamental, disse no passado que recebeu ordens para dar mais peso aos artigos que ajudavam o primeiro-ministro e para tirar o peso daqueles que se opunham a Netanyahu ou à sua esposa, Sarah.
Yeshua contou que os proprietários do Walla, Shaul e Iris Elovitch, lhe deram ordens para modificar a cobertura de Netanyahu. Eles disseram: "O que você é, 'Haaretz'? O que você é, um portal para esquerdistas? O que você é, um portal para membros do Hamas?", disse ele ao juiz.
Desde o início da guerra de Gaza, Netanyahu lamenta o fato de que o julgamento contra ele tem sido um fardo que o impede de realizar seu trabalho normalmente. Ele entrou com vários pedidos de adiamento de seus comparecimentos ao tribunal, alegando problemas de saúde, segurança e visitas diplomáticas.
ADIAMENTO ADICIONAL DE UMA AUDIÊNCIA JUDICIAL
Na segunda-feira, o tribunal aprovou o pedido de seus advogados e suspendeu a audiência marcada para terça-feira devido a "questões diplomáticas e de segurança". No entanto, a audiência desta quarta-feira terá de ser prorrogada por uma hora.
Durante a audiência de hoje, a promotoria acusou Netanyahu de "mentir" ao afirmar que acreditava que o portal de notícias Walla "não era importante", um argumento que tenta desmantelar a ideia de que ele procurou usar a mídia para exercer maior pressão e influenciar a opinião pública.
A promotora Yehudit Tirosh destacou que, apesar das palavras de Netanyahu, ele deu várias entrevistas para o portal de notícias Walla (durante e fora do período eleitoral) e, posteriormente, compartilhou alguns dos links desses artigos em suas redes sociais.
Acusado de mentir, Netanyahu - que afirma que todos esses casos contra ele fazem parte de uma tentativa de golpe - atacou os promotores, alegando que eles estavam "dando informações falsas durante todo o julgamento".
TENSÃO COM OS PROMOTORES
O aumento da tensão entre o presidente e o judiciário também afetou a figura da procuradora-geral do país, Gali Baharav-Miara, cuja renúncia tem sido insistentemente solicitada por Netanyahu e outros membros do governo, que a acusam de tentar tirá-lo do poder.
A própria procuradora, no entanto, acusou Netanyahu de usar a ofensiva desencadeada contra a Faixa de Gaza, que deixou mais de 70.000 palestinos mortos, para fazer aprovar uma legislação que "ameaça a democracia israelense" e a independência judicial.
"Há um enfraquecimento considerável das instituições democráticas. Os danos contínuos ao judiciário são particularmente perigosos", advertiu ele, dizendo que as medidas aprovadas pelo governo de Netanyahu poderiam "mudar a imagem do país como uma democracia com um judiciário independente".
O governo continua a pressionar pela saída da procuradora-geral, que foi acusada de abuso de poder e até agora se recusou a comparecer às audiências convocadas por uma comissão ministerial para discutir sua possível demissão, em um procedimento que ela descreveu como uma "farsa".
Em agosto, o gabinete israelense aprovou sua demissão, embora a decisão ainda não tenha sido endossada pela Suprema Corte. A promotora, de qualquer forma, parece ter o apoio incondicional de Herzog, que denunciou o processo como um "caos absoluto".
PERDÃO ANTES DA CONDENAÇÃO
Em uma rara reviravolta nos acontecimentos, o pedido de perdão vem antes mesmo da condenação, de modo que a petição foi transferida para o Departamento Jurídico da Presidência pelo advogado do primeiro-ministro, Amit Hadad, e de lá será transferida para o Departamento de Perdão do Ministério da Justiça, "que buscará as opiniões de todas as autoridades competentes".
"Esses pareceres serão então encaminhados ao consultor jurídico da presidência e sua equipe para formular um parecer adicional para o presidente", explicou a presidência israelense, após o que Herzog garantiu que estudaria o pedido e prometeu que "levaria em conta apenas os interesses" do país ao tomar uma decisão sobre o assunto.
Embora seja improvável que Herzog conceda o perdão, o chefe de estado deve analisar tais solicitações assim que os procedimentos legais estipulados forem concluídos, conforme estipulado pelas regras israelenses. De qualquer forma, os especialistas concordam que a concessão de um perdão presidencial antes que uma condenação seja emitida é "extremamente rara".
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