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As forças de segurança haitianas são responsáveis por quase 70% das vítimas, e a polícia está envolvida em mais de 30 execuções
MADRID, 9 maio (EUROPA PRESS) -
As Nações Unidas denunciaram nas últimas horas uma situação de violência extrema no Haiti, onde mais de 1.600 pessoas morreram em incidentes violentos entre janeiro e março deste ano, a grande maioria deles provocados pelas forças de segurança em suas operações contra as gangues criminosas que há anos exercem seu controle em boa parte do país.
O último balanço do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (BINUH) registra pelo menos 1.642 pessoas assassinadas e 745 feridas durante esses três meses, apesar de certos “avanços em matéria de segurança em algumas zonas do centro de Porto Príncipe”, a capital.
O problema reside no fato de que a violência se espalhou para outras regiões do país, como os departamentos de Centro e, sobretudo, Artibonite, segundo o responsável pelo escritório, Carlos Ruiz Massieu. Em Artibonite, uma série de ataques coordenados por gangues criminosas em 16 localidades do departamento, dirigidos contra grupos de autodefesa locais, deixou pelo menos 83 mortos e 38 feridos.
No entanto, e de acordo com os números apresentados pela ONU, as gangues são responsáveis por 27% das vítimas; uma porcentagem que empalidece diante dos 69% atribuídos às forças de segurança, “com dezenas de civis entre eles, incluindo crianças, enquanto as forças de autodefesa respondem pelos 4% restantes”.
A ONU aponta especialmente as gangues criminosas como culpadas por “inúmeros episódios de violência sexual que afetaram mais de 292 vítimas, principalmente mulheres e adolescentes entre 12 e 17 anos”, como parte de uma campanha de terror e controle social.
A ONU, no entanto, aponta as forças de segurança como responsáveis pela maior parte da violência: mais de 69% das vítimas morreram ou ficaram feridas durante operações das forças de segurança contra as gangues, às vezes com o apoio de empresas de segurança privadas que recorrem ao uso de drones para executar suas operações.
Em março, a organização não governamental Human Rights Watch (HRW) denunciou que o uso desses drones pelas forças de segurança do Haiti causou a morte de 1.243 pessoas, incluindo 17 crianças, durante os onze meses que vão de março de 2025 a janeiro de 2026. A HRW identifica uma dessas “empresas privadas” que colabora com o governo haitiano como a Vectus Global, que possui licença para exportação de serviços de defesa no país, conforme confirmado à ONG pelo embaixador dos Estados Unidos no Haiti.
Além disso, a BINUH também relata denúncias persistentes de execuções sumárias nas quais estariam envolvidos agentes da polícia. Esses incidentes teriam causado a morte de 33 pessoas.
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