Publicado 28/08/2026 23:13

Nações Unidas alertam para o agravamento da violência armada e da desnutrição infantil no Haiti

26 de agosto de 2026, Salisbury, Maryland, EUA: Imigrantes haitianos protestam contra o fim do status de visto de proteção temporária em Salisbury, Maryland, em 26 de agosto de 2026. As políticas anti-imigração de linha dura do governo Trump levaram à rev
Europa Press/Contacto/Dominic Gwinn

MADRID 29 ago. (EUROPA PRESS) -

As Nações Unidas alertaram nesta sexta-feira para a deterioração vertiginosa da segurança e da situação humanitária no Haiti, marcada por massacres cometidos por gangues armadas e pelo aumento drástico da desnutrição entre crianças menores de cinco anos.

O representante da ONU no país caribenho, Carlos Ruiz Massieu, denunciou perante o Conselho de Segurança o “horrível massacre” perpetrado na madrugada de 24 de agosto no município de Kenscoff, nos arredores de Porto Príncipe, por gangues que executaram moradores e incendiaram casas, deixando pelo menos 47 mortos. Um massacre ao qual Massieu se referiu como “profundamente chocante, mas que não se trata de uma tragédia isolada”.

“Sem melhores condições de segurança, os esforços para fortalecer a governança, acelerar o processo político e avançar nos preparativos eleitorais continuarão sendo severamente limitados e expostos a retrocessos”, ressaltou o representante diante da deterioração da ordem pública, que estaria sufocando qualquer avanço institucional.

UM EM CADA TREZE CRIANÇAS SOFRE DE DESNUTRIÇÃO AGUDA

A essa onda de violência soma-se a grave deterioração da saúde infantil. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Nutrição SMART 2026, elaborada pelo UNICEF, quase uma em cada treze crianças entre 6 meses e 5 anos no Haiti sofre de desnutrição aguda, o que representa um aumento de dois pontos percentuais em relação ao último levantamento realizado em 2023.

“Esses resultados surgem em um contexto de insegurança prolongada, dificuldades econômicas e necessidades humanitárias que continuam limitando o acesso das famílias a alimentos nutritivos em quantidade suficiente, aos cuidados de saúde e aos serviços de nutrição”, alertou a representante adjunta da UNICEF no Haiti, Yannig Dussart.

As Nações Unidas fizeram um apelo urgente à comunidade internacional para cobrir um déficit orçamentário superior a 64% em seus fundos destinados à resposta nutricional no país.

MAIS DE 1.400 PESSOAS MORRERAM ENTRE ABRIL E JUNHO NO PAÍS

“As manifestações de preocupação são importantes e refletem nossa solidariedade com o povo haitiano, mas devem ser acompanhadas de medidas sustentáveis. O Haiti precisa urgentemente que os compromissos já assumidos se traduzam em resultados concretos”, concluiu Massieu em uma carta dirigida à presidente do Conselho de Segurança, Christina Markus Lassen, que exerce a presidência rotativa atribuída à Dinamarca neste mês.

De acordo com outro estudo da ONU, mais de 1.400 pessoas morreram entre os meses de abril e junho de 2026 no Haiti, vítimas de uma violência desencadeada pelas gangues que, conforme alertou a organização, está se “espalhando geograficamente” pelo país, em um momento em que as autoridades intensificam sua campanha contra elas em Porto Príncipe, a capital.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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