Europa Press/Contacto/Adam Cairns - Arquivo
MADRID 19 fev. (EUROPA PRESS) - O multimilionário norte-americano Les Wexner, ex-diretor das marcas de moda Abercrombie & Fitch e Victoria's Secret, negou nesta quarta-feira, durante um depoimento a portas fechadas perante a comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, ter conhecimento dos crimes cometidos pelo criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
“O que está claro agora é que Epstein levava uma vida dupla. Ele era astuto, diabólico e manipulador”, diz o documento, que acrescenta que “não socializava no círculo” do criminoso sexual condenado, embora tivesse “encontros aleatórios, provavelmente orquestrados” por ele com pessoas proeminentes que conhecia.
Wexner insistiu que “escondeu completamente” a outra vida que levava, que era “cheia de crimes impensáveis”. “Ele sabia que eu nunca teria tolerado seu comportamento horrível. Nada disso. Em nenhum momento testemunhei esse lado da vida de Epstein pelo qual ele agora é considerado uma pessoa infame. Sou pai de duas meninas, agora mulheres, e pensar no que ele fez me deixa doente”, argumentou. Além disso, reiterou que “nunca viu Epstein na companhia de uma menor de idade”. “Nunca estive em seu avião. Ao contrário dos rumores, não dei a casa de Nova York a Epstein; ele a comprou por mim pelo que me disseram ser o valor de avaliação. Depois de nos mudarmos, nunca mais voltei a pisar naquela casa”, afirmou. O empresário também destacou que visitou a ilha de Epstein “apenas uma vez, pouco depois de ele a ter comprado” e que a sua família ficou lá algumas horas enquanto estava de cruzeiro. “Mais uma vez, a faceta de Epstein que ele decidiu revelar-me era muito diferente do predador que ele acabou por se revelar”, argumentou.
Wexner argumentou ainda que cortou relações com o magnata quando soube que ele “havia roubado grandes somas de dinheiro” de sua família. “Depois que descobri seu comportamento abusivo e o roubo à minha família, nunca mais falei com Epstein”, afirmou.
Assim, ele afirmou que cortou “irrevogavelmente os laços com Epstein há quase vinte anos” quando soube que “ele era um abusador, um criminoso e um mentiroso”. “Que fique bem claro: nunca testemunhei nem tive conhecimento da atividade criminosa de Epstein”, enfatizou.
O empresário, que garantiu ter sido “ingênuo” e “imprudente” por “confiar” nele por ser “um vigarista”, reiterou que não fez “nada de errado” nem tem “nada a esconder”. “Epstein concordou em devolver uma quantia substancial de dinheiro”, afirmou. “Em setembro de 2007, nove meses antes de se declarar culpado na Flórida, revogamos seus poderes como procurador, retiramos seu acesso às nossas contas bancárias e o obrigamos a renunciar a todas as nossas entidades afiliadas”, acrescentou.
Por outro lado, afirmou que, desde então, ele estava “fora de sua vida”. “Enquanto outros visitaram Epstein na prisão e mantiveram contato com ele após sua libertação, eu não o fiz. Também não testemunhei, perdoei ou possibilitei de alguma forma seus crimes", concluiu. O depoimento, divulgado pela rede CBS, é contraditório, uma vez que os documentos publicados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o caso revelam que seu nome aparece em e-mails, entrevistas e ações judiciais que datam de muito depois de 2008.
Wexner contratou Epstein como seu gerente financeiro — depois de conhecê-lo na década de 1980 graças ao ex-vice-presidente da gigante de seguros Aon, Bob Meister — de 1987 a 2007. Em julho de 1991, concedeu-lhe procuração e também o nomeou administrador do conselho da Fundação Wexner.
Em julho de 2019, o empresário foi incluído em uma lista de 10 co-conspiradores de Epstein pelo FBI, embora nenhuma acusação tenha sido apresentada contra ele. Virginia Giuffre, uma das vítimas, afirmou em documentos judiciais que Wexner era um dos homens que abusou sexualmente dela.
Em outubro de 2024, Michael Jeffries, que foi diretor executivo da Abercrombie & Fitch entre 1992 e 2014, foi preso nos Estados Unidos após ser acusado de liderar uma rede internacional de tráfico sexual e promover a prostituição.
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