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MADRID, 16 jul. (EUROPA PRESS) -
A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) pediu nesta quinta-feira aos países da União Europeia que aumentem “significativamente” o acolhimento de pacientes evacuados da Faixa de Gaza e alertou que os números indicam que mais de 1.400 pessoas morreram enquanto aguardavam a saída do enclave palestino.
“É provável que esse número esteja muito abaixo da realidade, já que muitos casos ainda não foram documentados”, lamentou a organização em um comunicado no qual alertou que os Estados-membros acolheram apenas 2% de todos os evacuados no que vai do ano.
“O fato de os países europeus acolherem tão poucos pacientes reduz significativamente as chances de que muitos pacientes que precisam desesperadamente recebam atendimento a tempo. Sem um atendimento oportuno, muitos desses pacientes não sobreviverão”, afirmou.
Nesse sentido, a organização destacou que a urgência das evacuações médicas de Gaza aumentou “drasticamente” devido às necessidades de saúde acumuladas e geradas “pelo genocídio” do povo palestino. “Isso inclui um grande número de pacientes com ferimentos relacionados à guerra que ainda não foram atendidos, bem como pessoas com doenças crônicas e outras condições potencialmente fatais, como o câncer”, acrescentou.
Essas doenças “ficaram sem tratamento devido às prolongadas interrupções nos serviços de saúde e ao impacto contínuo da violência atual”. “Ao mesmo tempo, a deterioração das condições de vida — incluindo deslocamentos forçados generalizados, falta de abrigos adequados, acesso limitado a alimentos e água potável, e o colapso quase total dos sistemas de saneamento — gerou riscos à saúde adicionais e aumentou as necessidades médicas entre a população palestina”, afirmou.
“Essas necessidades crescentes não podem ser atendidas por um sistema de saúde praticamente destruído pelas forças israelenses e que não tem capacidade para fornecer o nível de atendimento necessário. Com grande parte da infraestrutura de saúde de Gaza destruída, uma grave escassez de suprimentos médicos essenciais e vias limitadas para que os pacientes tenham acesso a tratamento fora da Faixa, a lacuna entre as necessidades e os serviços disponíveis continua se ampliando”, afirma o texto.
Desde janeiro de 2026, as autoridades israelenses têm impedido a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) de introduzir suprimentos e pessoal internacional na Palestina. Os estoques de medicamentos, equipamentos médicos e óleo de motor — essencial para os geradores que, entre outras coisas, mantêm bebês vivos — encontram-se em níveis criticamente baixos, afirmou a ONG.
O ATRASO NAS EVACUAÇÕES
As evacuações médicas de Gaza continuam sendo dificultadas pelas barreiras administrativas impostas pelas autoridades israelenses, conforme denunciou a MSF, que indicou que o número de pessoas que conseguem sair da Faixa continua sendo uma “gota no oceano” em comparação com as necessidades existentes e a escalada do conflito regional.
Em abril, 18.500 pacientes em estado crítico, entre eles 4.000 crianças, ainda precisavam de uma evacuação urgente de Gaza, segundo dados da OMS, que estimava que, no ritmo atual das evacuações, levaria uma década para resolver esse atraso acumulado. Suas vidas correm grave perigo, já que serviços especializados, como oncologia, cirurgia reconstrutiva ou neurocirurgia, bem como atendimento traumatológico avançado, continuam, em sua maioria, indisponíveis na Faixa de Gaza.
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