NOUR ALSAQQA/MSF - Arquivo
MADRID 27 fev. (EUROPA PRESS) - A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) declarou nesta sexta-feira que prestará serviços nos territórios palestinos ocupados enquanto for possível, diante das restrições impostas pelas autoridades israelenses, em um comunicado no qual denunciou “uma campanha de desprestígio” e pediu “uma ampliação maciça da assistência vital e um acesso humanitário sem obstáculos” para o enclave, marcado pela “violência sustentada e pelas restrições persistentes à ajuda impostas pelas autoridades israelenses”. “Em virtude do Direito Internacional Humanitário, as autoridades israelenses, como potência ocupante, são obrigadas a garantir a prestação de assistência humanitária”, reivindicou a MSF, que denunciou que as novas restrições impostas pelo Executivo israelense, que “exigem que 37 ONGs abandonem os territórios palestinos ocupados antes de 1º de março”, também ameaçam “reduzir drasticamente uma ajuda que já é totalmente insuficiente”.
Nesse sentido, a diretora da organização na Espanha, Raquel Ayora, garantiu que “MSF está trabalhando para manter os serviços aos pacientes” no enclave, mas destacou que “as necessidades são imensas e as restrições drásticas têm consequências mortais”. “Centenas de milhares de pacientes precisam de tratamento e cuidados de saúde mental e dezenas de milhares requerem acompanhamento médico, cirúrgico e psicológico a longo prazo”, explicou.
Assim, a ONG lamentou que, apesar do plano de paz impulsionado pelos Estados Unidos, o governo israelense continue “restringindo gravemente, e até mesmo negando, o acesso à água, à moradia e à assistência médica”, enquanto “a violência continua causando mortos e feridos entre a população palestina diariamente”.
Da mesma forma, Médicos Sem Fronteiras também quis colocar o foco na Cisjordânia, onde “as necessidades médicas e humanitárias continuam aumentando” em um contexto marcado pela violência, deslocamentos forçados, ataques de colonos israelenses e demolições de moradias, entre outros fatores.
Por isso, a organização lamentou que o cancelamento de seu registro junto às autoridades israelenses “já esteja afetando a assistência” que pode prestar, agravando a pressão sobre “um sistema de saúde devastado (...) e limitado por restrições persistentes sobre equipamentos e suprimentos médicos essenciais”.
“Desde o início de janeiro, as autoridades israelenses têm impedido a MSF de introduzir pessoal internacional e suprimentos nos Territórios Palestinos Ocupados. E a partir deste domingo, 1º de março, todo o pessoal internacional da MSF deverá ter abandonado o território”, denunciou a ONG.
Por isso, classificando seus programas como “vitais”, a organização afirmou, por meio de sua diretora, que permanecerá “todo o tempo que for possível” e fez “um apelo às autoridades israelenses para que permitam a ajuda humanitária em grande escala e à comunidade internacional para que garanta que os palestinos de Gaza e da Cisjordânia não sejam abandonados à própria sorte”.
A organização lembrou que trabalha na região desde 1988, ampliando seus serviços desde assistência médica e mental até, recentemente, serviços de água e saneamento. “Em 2025, a MSF atendeu um em cada cinco leitos hospitalares em Gaza e assistiu um em cada três partos”, destaca o comunicado.
Neste contexto, a ONG criticou que “os novos e restritivos requisitos de registro, usados como pretexto para impedir a assistência, coincidem com uma campanha global coordenada de ataques na internet promovida pelo governo de Israel contra MSF”.
“Trata-se de uma campanha de desacreditação, baseada em acusações falsas e infundadas, que tem como objetivo desacreditar a MSF, silenciar a voz da organização e impedir a prestação de assistência sanitária”, afirmou Ayora, antes de concluir que, “num contexto em que o acesso a jornalistas internacionais é proibido e jornalistas palestinos são assassinados, reduzir ainda mais o acesso das ONGs significa eliminar mais testemunhas da violência e seus efeitos prolongados sobre a população”.
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