Publicado 12/05/2026 00:54

A MSF evacua seu hospital em Cité Soleil, na capital haitiana, após intensos confrontos entre grupos armados

Archivo - Arquivo - 21 de fevereiro de 2026, Porto Príncipe, Haiti: Um morador local segura munição descartada em uma rua do bairro de La Saline, onde gangues ergueram barricadas em ruas e cruzamentos estratégicos usando entulho para retardar o avanço
Europa Press/Contacto/David Allignon - Arquivo

MADRID 12 maio (EUROPA PRESS) -

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou nesta segunda-feira sobre a evacuação de seu hospital em Cité Soleil, em Porto Príncipe, capital do Haiti, bem como sobre a suspensão “temporária” de suas atividades no local, após “intensos confrontos” entre grupos armados que assolam incessantemente a região.

“Há mais de 24 horas, o bairro de Cité Soleil, em Porto Príncipe, é palco de intensos confrontos entre grupos armados”, lamentou a organização em um comunicado no qual destacou que suas equipes médicas tiveram que lidar com um “fluxo de pessoas com ferimentos a bala”, além de acolher “mais de 800 pessoas que buscavam se colocar em segurança”.

Assim, após constatar um “contínuo agravamento da situação”, a MSF declarou-se “obrigada” a “evacuar seu hospital e suspender suas atividades até novo aviso”, alegando que, na manhã de domingo, 10 de maio, eclodiram “combates de extrema intensidade” entre grupos armados rivais nos municípios de Cité Soleil e Croix des Bouquets, cujos disparos, “desde então”, garantiram, “não cessaram”, encontrando-se o hospital “no centro dos confrontos”.

"Em apenas 12 horas, nossas equipes atenderam mais de 40 pessoas com ferimentos a bala", assinalou a diretora de projetos da MSF no Haiti, Davina Hayles, lamentando que um dos guardas tenha sido ferido por uma bala perdida "dentro do próprio recinto" do centro hospitalar.

Além disso, a ONG acrescentou que seu pessoal teve que atender pacientes transferidos do hospital de Fontaine, incluindo mulheres grávidas que deram à luz na noite de domingo para segunda-feira. Tudo isso, levando em conta, ainda, que, conforme destacou a organização, “atualmente nenhum hospital está aberto na zona onde ocorrem os confrontos”.

Lamentando, portanto, ver que é “impossível” prestar assistência “em meio aos tiros”, já que nem mesmo seu pessoal está “a salvo”, Médicos Sem Fronteiras quis ressaltar que essa suspensão é de caráter “temporário” devido ao “nível extremo de insegurança”, por isso instou “todas as partes envolvidas” a “respeitar a segurança do pessoal de saúde e da população civil”.

A POLÍCIA ANUNCIA NOVAS MOBILIZAÇÕES

Nesta mesma segunda-feira, a Polícia Nacional do Haiti anunciou o destacamento de várias unidades especializadas, bem como de nove veículos blindados na planície de Cul-de-Sac, perto de Porto Príncipe, e especificamente em Cazeau, Carrefour Droullard e Terre Noire.

A medida foi tomada em resposta aos violentos confrontos entre gangues rivais registrados na noite de 10 para 11 de maio, de acordo com um comunicado citado pela agência de notícias haitiana Alter Presse, que acrescenta que várias pessoas perderam a vida devido a balas perdidas, enquanto outras fugiram da área.

Ainda nesta semana, as Nações Unidas alertaram para a situação de extrema violência que assola este país, onde mais de 1.600 pessoas perderam a vida em incidentes violentos registrados entre janeiro e março de 2026, sendo a grande maioria deles provocados pelas forças de segurança em suas operações contra as gangues criminosas que há anos exercem controle sobre boa parte do país.

De acordo com os números apresentados pela ONU, as gangues são responsáveis por 27% das vítimas; uma porcentagem que empalidece diante dos 69% atribuídos às forças de segurança, “com dezenas de civis entre elas, incluindo crianças, enquanto as forças de autodefesa respondem pelos 4% restantes”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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