Marwan Naamani/dpa - Arquivo
MADRID, 25 mar. (EUROPA PRESS) -
A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou nesta quarta-feira que a população do Líbano “fica sem atendimento médico” diante do recrudescimento dos ataques perpetrados por Israel no âmbito da ofensiva lançada em conjunto com os Estados Unidos contra o Irã e em resposta ao lançamento de projéteis pelo partido-milícia xiita Hezbollah.
Os dados da organização indicam que ocorreram pelo menos 63 ataques contra centros de saúde, o que resultou na morte de cerca de 40 profissionais de saúde e em outros 91 feridos. Pelo menos cinco hospitais tiveram que evacuar suas instalações e outros 54 centros de atendimento primário tiveram que fechar.
“Quatro semanas após o início da última escalada de hostilidades no Líbano, os bombardeios israelenses e o consequente deslocamento forçado da população estão afetando gravemente a vida de grande parte de seus habitantes e dificultando seu acesso a serviços essenciais", lamentou MSF em um comunicado no qual exigiu a "proteção da população civil e garantias de segurança para o pessoal médico e as estruturas de saúde".
Além disso, pediu o fim de “todas as medidas que estão causando o deslocamento forçado de mais de um milhão de pessoas que não sabem se poderão algum dia voltar para suas casas”.
Desde 2 de março, a população civil enfrenta “condições cada vez mais precárias devido à escalada de ataques por parte das forças israelenses”. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, entre 2 e 24 de março, 1.072 pessoas foram mortas, das quais mais de 12% eram crianças.
“A combinação de ataques terrestres e dos constantes bombardeios aéreos contra infraestruturas civis, como as pontes no sul do Líbano, está isolando as grandes cidades e inúmeras vilas ao sul do rio Litani, bem como os residentes que ainda vivem lá, do resto do país”, afirma o texto.
“Estamos preocupados com a segurança dos civis que não abandonaram essas áreas, seja por decisão própria ou por falta de meios”, declarou Tejshri Shah, diretor-geral da MSF, durante sua visita ao Líbano. “Exigimos a proteção dos civis e garantias permanentes de segurança para o pessoal e as estruturas de saúde, para que a população possa continuar tendo acesso a atendimento médico e outros serviços essenciais”, esclareceu.
UM EM CADA CINCO LIBANESES FOI DESLOCADO
A MSF alertou, além disso, que as ordens de evacuação “abrangem 14% do território libanês e provocaram a deslocamento de um em cada cinco habitantes do país”. “Mesmo em zonas fora das áreas designadas como zonas de evacuação, incluindo partes de Beirute e o sul do país, a população vive sob a ameaça constante de ataques aéreos e com drones”, lamentou.
“O pessoal do hospital de Nabatiye, que decidiu continuar trabalhando lá, não tem outra escolha a não ser se refugiar dentro do prédio, evitando deslocamentos de carro e buscando um local seguro”, explicou a coordenadora médica da MSF, Luna Hammad, após sua visita ao Hospital Governamental de Nabatiye, um dos que mais está recebendo feridos atualmente.
Além disso, ela afirmou que esses médicos vêm há semanas “suportando essa situação, com pouco descanso e sob o peso de uma pressão e um medo constantes”, enquanto “os hospitais continuam recebendo grandes quantidades de feridos”.
AMEAÇA DE INCÊNDIO
Muitas pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas diante da ameaça de incêndios, deixando para trás a maioria de seus pertences, e agora vivem em abrigos coletivos ou em assentamentos temporários com privacidade limitada e serviços básicos restritos, segundo informa a MSF.
Por isso, a ONG intensificou sua assistência médica e humanitária. "Desde 2 de março, suas equipes realizaram mais de 6.826 consultas médicas, incluindo mais de 1.298 consultas sobre saúde sexual e reprodutiva. Até o momento, a MSF distribuiu 10.853 cobertores e 9.315 colchões para ajudar a amenizar as precárias condições de vida da população", destacou.
“Simultaneamente, a organização lançou uma linha de apoio telefônico para saúde mental que oferece apoio gratuito, remoto e confidencial às pessoas sobrecarregadas pela situação atual, proporcionando-lhes um espaço seguro para conversar com psicólogos da MSF e ter acesso a primeiros socorros psicológicos e orientação sobre os serviços disponíveis”, concluiu.
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