Publicado 10/04/2026 12:02

A MSF denuncia a "obstrução deliberada da ajuda a Gaza" após seis meses de um cessar-fogo "ineficaz"

Archivo - Arquivo - Imagem de arquivo de uma rua em Gaza após um bombardeio do Exército de Israel.
Omar Ashtawy/APA Images via ZUMA / DPA - Arquivo

MADRID 10 abr. (EUROPA PRESS) -

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou nesta sexta-feira a “obstrução deliberada da entrega de ajuda a Gaza”, além da “violência contínua e do crescente controle militar israelense” após seis meses de um cessar-fogo “ineficaz” no enclave palestino.

“As condições de vida da população palestina continuam extremamente precárias, em um contexto marcado por um padrão contínuo e deliberado de bloqueio da ajuda por parte de Israel, o que está causando mortes totalmente evitáveis”, lamentou a organização em um comunicado, afirmando que “isso não é um cessar-fogo”.

Assim, denunciou que as equipes de MSF no terreno tiveram que responder todos os meses a “múltiplos incidentes com vítimas em massa”, tendo atendido pelo menos 244 pacientes por ferimentos causados em ataques de Israel, entre os quais se encontram “inúmeras crianças”.

Além disso, a ONG estima em mais de 40.000 o número de pacientes com ferimentos por traumatismos violentos, incluindo tiros, explosões ou outros tipos de armas. Estima-se que, desde outubro de 2025, as equipes médicas tenham tratado mais de 15.000 casos de trauma apenas nos dois hospitais de campanha da MSF, tanto por lesões recentes quanto por ferimentos que requerem cuidados de longo prazo, segundo o documento.

“Seis meses depois, o cessar-fogo não conseguiu pôr fim ao genocídio contra a população palestina em Gaza, e as autoridades israelenses continuam impondo condições destinadas a destruir as condições de vida. Apesar da redução da intensidade da violência, os ataques israelenses continuam e a situação continua sendo catastrófica. As necessidades da população são enormes, mas as autoridades israelenses continuaram restringindo sistematicamente a entrada de ajuda humanitária”, afirmou Claire San Filippo, responsável por emergências da MSF.

Nesse sentido, ela lamentou que a população “sofra com a escassez de água potável, alimentos, eletricidade e acesso aos cuidados de saúde”. “O sistema de saúde, já devastado, está ainda mais asfixiado pelos obstáculos à ajuda e pelo cancelamento do registro de 37 ONGs internacionais por parte de Israel, entre elas a MSF, que prestavam assistência vital em Gaza”, denunciou.

CERCA DE 90% DA POPULAÇÃO DESLOCADA À FORÇA

Em Gaza, aproximadamente 90% da população foi deslocada à força, muitas vezes em várias ocasiões, e vive em barracas ou abrigos improvisados, conforme alertou MSF, que destacou que a situação não melhorou significativamente desde o cessar-fogo.

Nos centros de atenção primária apoiados pela MSF em Al Mawasi e Al Attar, em Jan Yunis, entre outubro de 2025 e março de 2026, as patologias mais frequentes estão diretamente relacionadas às condições de vida extremas e à superlotação: infecções respiratórias superiores (42%), doenças de pele como sarna e piolhos (16,7%) e diarreia (8,4%).

O espaço em que a população vive “está se reduzindo constantemente e é marcado pela violência”, afirma o texto. “Desde o cessar-fogo, a Faixa de Gaza ficou de fato dividida pela chamada ‘linha amarela’, que delimita uma zona sob controle militar israelense total (58% do território), empurrando a população palestina para se concentrar nos 42% restantes, em grande parte destruídos”, acrescentou.

A MSF fez, assim, um apelo aos líderes mundiais e aos governos — incluindo os Estados Unidos, a União Europeia e seus Estados-membros, além dos países árabes— para que utilizem “todas as ferramentas políticas ao seu alcance e pressionem as autoridades israelenses a fim de proteger a população civil, restabelecer condições de vida dignas e permitir, com urgência, a entrada sem restrições de ajuda humanitária em Gaza, como é obrigação de Israel enquanto potência ocupante”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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