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MADRID 30 jan. (EUROPA PRESS) - A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) decidiu não compartilhar com as autoridades israelenses a lista de seus funcionários palestinos e internacionais por falta de segurança, um requisito exigido por Israel para continuar com suas atividades humanitárias na Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.
“Após muitos meses de conversas infrutíferas com as autoridades israelenses e diante da incerteza quanto à segurança de nosso pessoal ou à gestão independente de nossas operações, MSF decidiu que, nas circunstâncias atuais, não compartilhará com as autoridades israelenses a lista de seu pessoal palestino e internacional”, explicou em um comunicado.
A MSF indicou que se mostrou disposta a compartilhar uma lista específica com os nomes de seus funcionários, desde que estivesse “sujeita a parâmetros claros” e “com a segurança” do pessoal como “prioridade fundamental”, embora, apesar dos “repetidos esforços”, tenha ficado “evidente” que não era possível chegar a um acordo com as autoridades israelenses sobre as condições solicitadas pela ONG.
Entre elas estava que essas informações “seriam utilizadas apenas para os fins administrativos indicados”; que MSF manteria sua autoridade sobre questões relacionadas a Recursos Humanos, bem como a gestão de suprimentos médicos, e que “cessariam todas as comunicações” que difamassem a ONG.
“Como resultado, e diante de tal incerteza, decidimos não compartilhar informações sobre nossos funcionários nas circunstâncias atuais”, anunciou. “É importante esclarecer que, em todo este processo, nenhuma informação sobre nossos trabalhadores foi compartilhada com as autoridades israelenses”, expressou. MSF alertou que as consequências da expulsão de MSF de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental serão “devastadoras” em meio a um inverno frio em que as condições de vida continuam extremas. Cerca de 500 pessoas morreram desde outubro, enquanto os serviços básicos continuam destruídos e o sistema de saúde está “praticamente inoperante”. “Na MSF, continuamos abertos ao diálogo contínuo com as autoridades israelenses para manter nossas operações médicas em Gaza e na Cisjordânia ocupada, e para que possamos continuar prestando atendimento médico essencial àqueles que precisam desesperadamente”, indicou.
A ONG já expressou preocupação com a medida impulsionada por Israel em março que solicitava informações sobre seus trabalhadores, alegando que isso ocorria “em um contexto em que os trabalhadores médicos e humanitários foram intimidados, detidos arbitrariamente e atacados”. Desde outubro de 2023, 1.700 profissionais de saúde foram assassinados, bem como 15 funcionários da MSF. No final do ano passado, o governo de Israel anunciou a revogação das licenças de operação de ONGs internacionais por não cumprirem novos requisitos que os trabalhadores humanitários consideraram praticamente impossíveis de cumprir.
As autoridades israelenses solicitaram às ONGs que apresentassem, em um prazo de dez meses, uma série de documentos sobre sua organização e operações, incluindo uma lista de todos os funcionários, como parte de uma nova regulamentação de registro que permite negar licenças se elas forem, por exemplo, suspeitas de colaborar com “organizações terroristas” designadas como tal por Israel, como o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).
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