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MADRID 20 ago. (EUROPA PRESS) -
A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) condenou nesta quinta-feira a decisão da Justiça militar israelense de não abrir um inquérito sobre a morte de seus funcionários em ataques perpetrados na Faixa de Gaza em 2023 e 2024, exortando a que os casos sejam reexaminados por um órgão de investigação imparcial.
“Os funcionários da MSF e seus familiares morreram. Seus nomes são conhecidos. Sua localização foi comunicada. Seus veículos foram identificados. Sempre sustentamos que todas as evidências apontam para uma clara responsabilidade do Exército israelense nos ataques mortais. E, no entanto, os responsáveis por suas mortes se recusaram a realizar qualquer investigação criminal”, lamentou em um comunicado.
A ONG instou para que os casos — que envolvem múltiplos ataques contra um comboio humanitário na cidade de Gaza em novembro de 2023, que resultaram em duas mortes, e outro em fevereiro de 2024 contra um abrigo em Jan Yunis, no qual outras duas pessoas morreram e seis ficaram feridas — sejam analisados por um “órgão de investigação imparcial” após “dois anos de silêncio” desde que apresentou seu pedido à Justiça israelense.
Nesse sentido, a ONG destacou que isso deixa evidente que “não há perspectivas de que se exija responsabilização dentro do sistema jurídico israelense”, nem pela morte de seus funcionários, nem pelo “genocídio que Israel continua cometendo contra os palestinos”.
“A decisão de ‘arquivar’ esses incidentes deve ser entendida em seu contexto adequado: em Gaza, dezenas de milhares de palestinos foram assassinados. Centros de saúde foram destruídos. Convois humanitários foram atacados. Jornalistas, profissionais de saúde, funcionários da ONU e trabalhadores humanitários foram assassinados em um número sem precedentes em qualquer conflito recente”, argumentou.
Os 15 membros da equipe de saúde da MSF mortos no enclave palestino por ataques israelenses desde outubro de 2023 são “apenas uma fração dos 1.700 profissionais de saúde que perderam a vida nesse período” em um contexto de ataques constantes contra “civis” que são realizados “com impunidade”, segundo a ONG.
“A MSF reafirma o que vem afirmando desde o início dessa violência: não há nenhum objetivo militar que justifique o sacrifício em massa de civis. E não há nenhuma revisão militar interna que possa substituir uma prestação de contas genuína, independente e imparcial”, afirmou.
A ONG afirmou ainda que não permitirá que as mortes em Gaza de seus colegas, profissionais humanitários ou civis “sejam arquivadas como inevitabilidades processuais”. “Vocês mereciam proteção. Vocês merecem justiça”, concluiu.
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