Publicado 15/06/2026 00:37

Morre Taty Almeida, mãe da Praça de Maio e símbolo da luta pelos direitos humanos na Argentina

A presidente das Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora, Taty Almeida, em uma foto de arquivo
MADRES DE PLAZA DE MAYO LÍNEA FUNDADORA (FACEBOOK)

MADRID 15 jun. (EUROPA PRESS) -

A presidente das Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora, Taty Almeida, faleceu neste domingo aos 95 anos, após ter dedicado cerca de meio século de sua vida à luta pela memória, a verdade e a justiça na Argentina, com o objetivo de que “nunca mais” se repitam os crimes da última ditadura militar do país (1976-1983).

“As palavras não são suficientes, ficam aquém, formam um nó na garganta. É tão imenso que não há como descrever”, escreveu a organização da qual Almeida era presidente em um comunicado no qual seus membros demonstraram sua gratidão pelo “compromisso, militância e ternura” demonstrados ao longo dos anos, bem como por lhes ensinar que “amar é resistir” e que “a única luta que se perde é aquela que se abandona”.

Nascida em 28 de junho de 1930 em Buenos Aires, Lidia Stella Mercedes Miy Uranga de Almeida, mais conhecida como Taty Almeida, exerceu a profissão de professora até o nascimento de seus três filhos. Desde então, tornou-se dona de casa até que, em 17 de junho de 1975, a Triple A (Aliança Anticomunista Argentina) sequestrou um deles: Alejandro Almeida, que na época tinha apenas 20 anos.

Consciente de que, apesar de ter crescido no seio de uma família repleta de militares, não conseguiria recuperar seu filho buscando ajuda junto às forças armadas, Almeida tomou conhecimento da existência das Mães da Praça de Maio em 1979. Desde então, ela nunca mais se afastou da luta que unia tantas mulheres que, cobrindo a cabeça com lenços brancos, clamavam pela memória, pela verdade e pela justiça para seus filhos sequestrados durante a ditadura.

“Assim como eu estou feliz por ter dado à luz meus três filhos, Alejandro me deu à luz”, foi uma das frases que Almeida proferiu em uma de suas inúmeras intervenções ao longo de quase meio século de luta para encontrar um filho que, até hoje, continua desaparecido.

Prometendo assim cuidar de sua memória e da de seu filho, levando seu legado “a cada canto”, a organização prometeu que, cada vez que levantar a voz pelos “30 mil” — número que as organizações de direitos humanos utilizam em sua luta pela memória, a verdade e a justiça no país, também a tornará “presente” para ela.

“Nos resta a responsabilidade de continuar contando a história para que ela nunca mais se repita; de continuar gritando bem alto que ‘Nunca Mais’; de defender a memória, a verdade e a justiça como você nos ensinou”, diz o comunicado, afirmando que a lembrarão “em cada ‘Presentes, agora e sempre’, em cada lenço, em cada marcha, em cada abraço e em cada carícia”.

Por sua vez, uma das primeiras vozes do espectro político a se pronunciar sobre a morte de Almeida foi a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner, que a reivindicou como uma “lutadora incansável” que honrou a vida, de acordo com uma mensagem publicada em suas redes sociais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado