Cecilia Fabiano / Zuma Press / Europa Press
MADRID 11 set. (EUROPA PRESS) -
Emma Bonino, ex-ministra das Relações Exteriores da Itália e ex-comissária europeia, reconhecida por seu ativismo em prol dos Direitos Humanos, faleceu nesta sexta-feira aos 78 anos de idade.
“Emma nos deixou, mas nunca nos abandonará. Hoje não perdemos apenas nossa líder, mas também uma das figuras mais lúcidas, corajosas e livres da história política do nosso país e do mundo livre”, confirmou nas redes sociais seu partido, o Più Europa, de orientação liberal e pró-Europa.
Ela iniciou seu ativismo político na década de 70 em movimentos a favor da legalização do aborto na Itália, questão pela qual concorreu às eleições pelo Partido Radical.
Assim, deu início a uma longa trajetória política que a levou a ser deputada durante seis legislaturas, bem como comissária de Pesca em 1995, ministra de Assuntos Europeus entre 2006 e 2008 e de Relações Exteriores entre 2013 e 2014 em governos social-democratas. Foi senadora até 2022, seu último cargo eleito.
Seu partido destacou seu caráter inconformista e suas lutas “contra tudo o que nega as liberdades”, como o “aborto clandestino, a fome no mundo, a partitocracia, o justicialismo, os genocídios ou contra toda forma de autoritarismo”, assim, descreveu Bonino como “ativista, parlamentar, ministra, comissária europeia”, mas “sempre radicalmente livre”.
Sua longa trajetória como ativista foi reconhecida com várias condecorações, como a Grã-Cruz da Ordem do Mérito da República Italiana, a Legião de Honra francesa ou o Prêmio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional, que recebeu em 1998.
REAÇÃO NA ITÁLIA E EM BRUXELAS
Sua figura foi celebrada por membros do atual governo, como a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que destacou que, durante décadas, ela representou “uma voz forte e reconhecível da política italiana, levando adiante suas ideias com determinação”.
“Nossas histórias e nossas sensibilidades foram muito diferentes, mas isso nunca me impediu de reconhecer seu peso e seu papel na vida pública de nossa nação”, afirmou Meloni.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, referiu-se a Bonino como uma “representante autorizada da política italiana”. “Um dos rostos mais conhecidos do radicalismo liberal. Ela foi minha colega em Bruxelas, uma mulher inteligente com quem sempre mantive um diálogo respeitoso e leal, apesar de muitas vezes termos valores e visões políticas diferentes”, afirmou.
Assim, ele destacou que os unia um “grande sentimento pró-europeu”, ressaltando sua luta pela moratória da pena de morte e por justiça às mulheres vítimas de mutilação genital feminina.
Em nível europeu, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou em uma mensagem em italiano divulgada nas redes sociais que “a Europa pela qual ela lutou sentirá sua falta”.
“Emma Bonino nunca esperou que o mundo estivesse preparado; sempre optou por seguir em frente, indicando o caminho aos demais”, destacou a conservadora maltesa para valorizar o papel da ex-deputada europeia e ex-comissária europeia.
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