SEVILHA 20 fev. (EUROPA PRESS) -
A vice-presidente primeira do Governo e vice-secretária-geral do PSOE, María Jesús Montero, afirmou esta sexta-feira que o PSOE considera que a burca representa “uma opressão exercida diretamente sobre as mulheres”, mas que o partido não vai “cair nas armadilhas que a direita e a extrema-direita” do PP e do Vox “estão a tentar projetar ao associar a imigração à criminalidade”.
Assim o afirmou a também secretária-geral do PSOE da Andaluzia e ministra das Finanças durante sua participação em uma nova edição dos cafés informativos da Europa Press Andaluzia, organizados em Sevilha em colaboração com a Fundação Cajasol, e onde foi apresentada pelo diretor do Instituto Cervantes, Luis García Montero.
Na sessão de perguntas, e a propósito das iniciativas parlamentares contra o uso do burka apresentadas recentemente pelo Vox, Junts e PP, María Jesús Montero defendeu que os socialistas não vão “em momento algum favorecer” essas “armadilhas” que, em sua opinião, são criadas pelos partidos de “direita e extrema direita”.
Nessa linha, classificou como “deplorável” a “deriva nos últimos anos dos partidos de direita”, que passa por uma “competição para ver quem é mais racista, mais xenófobo ou quem é capaz de lançar mais sombras de dúvida sobre os menores, por exemplo, que vêm para o nosso país”, acrescentou.
Montero indicou que “a luta entre a direita e a extrema direita nos enche de inquietação” e que não sabe se o presidente nacional do PP, Alberto Núñez Feijóo, “quer se parecer” com o Vox “tanto que, no final, acaba sendo de extrema direita e, portanto, não se distingue a política de imigração" do PP, ou a relativa aos serviços públicos ou às mulheres, da de Vox.
De fato, segundo acrescentou a líder socialista andaluza, “agora dizem no Partido Popular que são do feminismo do Vox”, como se esse partido fosse “talvez feminista”, advertiu Montero, que se perguntou se isso significa que os “populares” “não querem se diferenciar nas posições políticas” do Vox em questões como feminismo ou imigração.
Dito isso, Montero afirmou que a burca “é uma opressão exercida diretamente sobre as mulheres e, é claro, o Partido Socialista e o governo” de Pedro Sánchez “sempre a denunciaram”, mas salientou que os socialistas não vão “favorecer um falso debate em que o que se quer colocar em primeiro plano é a criminalização dos imigrantes”.
A este respeito, aludiu à iniciativa anunciada pelo Governo para regularizar os imigrantes e sublinhou que aqueles que podem beneficiar desta medida são pessoas que “vivem com os espanhóis, estão no metro, nos centros de saúde, frequentam as nossas praças” e “se participam nos nossos direitos, têm de participar também nas obrigações fiscais e é preciso regularizá-las também para que paguem seus impostos e contribuam para o bem coletivo”, sustentou a vice-presidente. Montero concluiu defendendo que essas pessoas, “pelo fato de serem o que são, precisam da dignidade de todo um povo como o povo espanhol” e, por isso, também do povo andaluz, finalizou.
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