MADRID, 16 mar. (EUROPA PRESS) -
A primeira vice-presidente e ministra da Fazenda, María Jesús Montero, garantiu que aplicaria imediatamente a anistia ao ex-presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, e que preferiria que ele vivesse na Espanha para normalizar a situação política na Catalunha.
Em sua opinião, seria muito positivo encerrar um "capítulo triste" para a Catalunha e para a Espanha, em referência ao processo de independência de 1-O, e "isso não terminará até que, é claro, Puigdemont não retorne", disse ela em uma entrevista neste domingo no programa 'Lo de Évole' no La Sexta, relatado pela Europa Press.
Especificamente, a secretária-geral do PSOE da Andaluzia foi questionada se aplicaria imediatamente a lei de anistia a Puigdemont pelo crime de peculato - algo que a Procuradoria solicitou -, ao que ela respondeu que aplicaria "o que o legislador queria. Que era anistiar todos os eventos relacionados ao processo, sem exceção".
Quanto a ter tido contato ocasional com o líder do Junts ou se sabe mais sobre ele, a ministra o descreveu como uma pessoa "muito convencida de suas ideias" e como alguém que acha que "tudo o que fez" durante o processo é "correto". Em sua opinião, ele é uma pessoa que vive em uma situação pessoal "muito complicada", pois está morando em Waterloo.
Questionada sobre se acredita que o cancelamento da dívida após o acordo entre o governo e a ERC terá um custo político na Andaluzia, Montero evitou fazer uma declaração, embora tenha criticado o fato de que há abordagens propostas por grupos nacionalistas catalães que são simplesmente discutidas porque são propostas por eles, e não porque alguém acha que estão erradas.
"Não pode ser na política, não se pode ter essa perspectiva de que quem é mais importante do que o quê", lamentou a vice-presidente, que ao mesmo tempo reconheceu que às vezes na política a oportunidade surge quando "há uma pessoa, um grupo, um partido político, que coloca algo sobre a mesa que pode até ser desconfortável à primeira vista, mas quando você analisa, você tem que tomar partido", apontou.
TROPAS PARA A UCRÂNIA?
Em outra questão, Montero também foi questionada sobre a decisão da Comissão Europeia e da União Europeia de investir 800 bilhões de euros em armamentos, assunto sobre o qual conversou com o Presidente do Governo, Pedro Sánchez - com quem diz conversar quase diariamente - insistindo que, para ela, o mais importante é que os gastos com defesa sejam excluídos do cálculo das regras fiscais. Em outras palavras, os gastos com defesa não devem competir com o estado de bem-estar social.
Quanto a se ela se vê votando no Congresso a favor do envio de tropas espanholas para a Ucrânia, a ministra da Fazenda garantiu que tal proposta não foi colocada sobre a mesa, nem está atualmente sobre a mesa, e é por isso que ela a vê como uma perspectiva distante.
Nesse contexto, Montero quis enfatizar que o aumento nos gastos com defesa não é para armamentos, mas sim um investimento em "tecnologia híbrida" que pode servir a um "uso duplo", como em segurança cibernética e em "tudo o que tem a ver com o novo conceito de defesa". Assim, ele exemplificou que comprar balas não é o mesmo que comprar mísseis antiaéreos.
A ministra da Fazenda também enfatizou a necessidade de reforçar a segurança, pois, como ela disse, existem "códigos de conduta" que nos permitem transmitir que "estamos preparados para qualquer evento que possa ocorrer", caso "um dia desses alguém dê um passo à frente" em alguma direção, alertou.
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