Publicado 13/01/2026 14:08

Montero apresentará amanhã às comunidades autônomas o novo modelo de financiamento, apesar da rejeição do PP e de setores do PSOE.

A vice-presidente primeira do Governo e ministra das Finanças, María Jesús Montero, apresenta a proposta do novo modelo de financiamento autonômico, em 9 de janeiro de 2026, em Madri (Espanha). O Governo central ainda não concretizou nenhum detalhe sobre
Marta Fernández - Europa Press

O Governo só precisa do voto de uma comunidade para validar sua proposta no Conselho de Política Fiscal, e a Catalunha garante isso. MADRID 13 jan. (EUROPA PRESS) -

A ministra das Finanças, María Jesús Montero, presidirá nesta quarta-feira o Conselho de Política Fiscal e Financeira (CPFF), no qual apresentará às comunidades autônomas o novo modelo de financiamento, que já provocou a rejeição tanto nas regiões governadas pelo PP quanto entre alguns líderes socialistas por ter sido previamente negociado com o ERC.

Os conselheiros autônomos estão convocados a partir das 10h30 desta quarta-feira no Ministério das Finanças, embora as comunidades já tenham expressado suas diferentes posições desde que Montero apresentou o novo modelo de financiamento na última sexta-feira em uma coletiva de imprensa.

Entre os principais marcos deste novo modelo destacam-se o aumento da percentagem de cessão às comunidades autónomas do IRPF de 50% para 55% e do IVA de 50% para 56,5%, aumentando assim os recursos em 16.000 milhões de euros para o ano 2027.

O Governo reformulou o que é conhecido como população ajustada, que determina o número de habitantes de cada comunidade, ponderando variáveis que influenciam o custo da prestação de serviços e as necessidades de financiamento.

Em matéria tributária, outra novidade que foi incorporada é a inclusão na cesta de impostos do sistema do imposto sobre o patrimônio, do imposto sobre depósitos bancários, do imposto sobre atividades de jogo e do imposto sobre o depósito de resíduos em aterros. AS COMUNIDADES AUTÓNOMAS DO PP TERÃO O SEU PRÓPRIO PLANO

Quando Montero divulgou sua proposta de financiamento regional, as comunidades governadas pelo PP se manifestaram veementemente contra o novo modelo, alegando que ele havia sido previamente acordado com o líder do ERC, Oriol Junqueras, em uma reunião anterior em La Moncloa.

As comunidades “populares” acreditam que este modelo de financiamento regional é um “remendo” e colocam o foco na ordinalidade que será respeitada no caso da Catalunha, mas que o governo não garante para as demais regiões. Além disso, alguns executivos regionais ameaçaram recorrer aos tribunais diante desta situação.

Com tudo isso, as comunidades do PP se apresentarão no Conselho de Política Fiscal desta quarta-feira com sua própria proposta em matéria de financiamento regional, em linha com as bases que Alberto Núñez Feijóo e os presidentes do PP assinaram em 6 de setembro de 2024 no Palacete dos Duques de Pastrana, em Madri. Esses eixos básicos também foram refletidos na carta que os conselheiros da Fazenda do PP enviaram ao governo em fevereiro de 2025, em meio ao debate sobre a redução da dívida. No entanto, este documento não inclui nenhuma proposta sobre os critérios para a distribuição dos recursos, mas faz referência a abordá-la de forma multilateral nos diferentes órgãos. Também há nuances entre os “barões” do PP, porque alguns líderes vão esperar que Montero detalhe sua proposta para se posicionarem de forma mais explícita.

PROTESTOS DAS FEDERAÇÕES SOCIALISTAS Mas não foram apenas as comunidades do PP que mostraram suas reticências, pois alguns líderes territoriais do PSOE expressaram suas dúvidas sobre esse novo modelo. O “barão” socialista que mais elevou o tom foi Emiliano García-Page, como de costume, que chegou a pedir eleições.

“Antes que avance uma afronta dessa natureza ao que somos como país, e que os independentistas decidam como distribuir a riqueza da Espanha, —da Espanha que eles querem dividir—, antes disso, prefiro que os espanhóis se manifestem”, proclamou Page.

A outra comunidade governada pelo PSOE, o Principado das Astúrias, também mostrou suas reservas em relação ao novo financiamento regional, embora em um tom mais contido. O conselheiro da Presidência, Guillermo Peláez, disse que aguardarão o Conselho de Política Fiscal e Financeira convocado esta semana para conhecer todos os detalhes do acordo. O PSOE de Castela e Leão também rejeitou veementemente o novo financiamento, considerando-o “insuficiente e injusto” para a comunidade, conforme expressou o secretário regional Carlos Martínez.

Desde Ferraz e algumas federações alinhadas com a direção federal, esforçam-se por defender o novo modelo com a promessa de que trará mais recursos para todas as comunidades, abrindo um debate que marcará as próximas campanhas eleitorais. UM CAMINHO QUE COMEÇA AMANHÃ

O percurso do novo modelo de financiamento regional começará oficialmente esta quarta-feira no Conselho de Política Fiscal e Financeira (CPFF). Neste órgão, o Governo dispõe de 50% dos votos, pelo que é previsível que o leve adiante graças ao apoio da Catalunha, que já avalizou publicamente este modelo que foi previamente acordado com o ERC.

Após o Conselho de Política Fiscal e Financeira desta quarta-feira, o Ministério da Fazenda manterá reuniões técnicas bilaterais com cada governo regional para abordar a composição do modelo como um todo. Após as reuniões com as comunidades, o governo submeterá a lei orgânica a audiência pública e, posteriormente, em segunda votação, ela será novamente aprovada pelo Conselho de Ministros e encaminhada ao Congresso dos Deputados, onde espera contar com o apoio da Câmara.

A ministra esclareceu que todas estas propostas têm de ser traduzidas numa lei orgânica, ou seja, num texto com artigos, que permita superar a anterior norma de financiamento regional. De acordo com os cálculos do Ministério, a redação desta lei orgânica poderá estar pronta em aproximadamente dois meses. No entanto, alguns grupos que apoiam o Governo já manifestaram a sua rejeição a esta proposta da ministra Montero.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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