Publicado 18/02/2026 05:48

Monsenhor Saiz: «Os aluguéis no centro são proibitivos e seria bom que não ficasse despovoado»

O arcebispo de Sevilha, Monsenhor José Ángel Saiz Meneses, na entrevista concedida à Europa Press no Palácio Arcebispal. Em 16 de fevereiro de 2026, em Sevilha, Espanha. Em entrevista concedida à Europa Press às vésperas da Quaresma e que foi
Eduardo Briones - Europa Press

O arcebispo está “certo” de uma futura visita do Papa Leão XIV: “Teremos a oportunidade de recebê-lo, mas não nesta primeira viagem”. SEVILHA 18 fev. (EUROPA PRESS) - O arcebispo de Sevilha, José Ángel Saiz Meneses, referiu-se a um dos problemas da proliferação do turismo na nossa cidade: a difícil convivência, em muitas ocasiões, entre visitantes e moradores do centro histórico, e a expulsão de muitos deles motivada pelo aumento do preço dos aluguéis e pelo crescimento exponencial da oferta de alojamentos, seja em hotéis de quatro e cinco estrelas, apartamentos turísticos ou moradias para uso turístico (VUT): “Os aluguéis no centro são proibitivos e seria bom que não ficasse despovoado”.

É o que ele expressa em entrevista à Europa Press, em sua já habitual atenção à mídia por ocasião do início da Quaresma. “O turismo está se diversificando e não só se criam hotéis no centro, mas também em muitos outros bairros”.

Na opinião de Monsenhor Saiz Meneses, seria conveniente “harmonizar” o turismo, “que é uma riqueza para a cidade e, se for eliminado, elimina postos de trabalho”, sem entrar em conflito com os direitos dos vizinhos, incluindo o direito à habitação consagrado na Constituição. “A habitação é uma questão estrutural e de profunda importância, que deve ser abordada nas altas esferas”.

O prelado de Sevilha destaca como uma das iniciativas para paliar esse problema o Patronato da Habitação, do qual faz parte, “pois tem apartamentos, reabilita, compra e os oferece a preços muito baixos, mas é uma gota d'água no oceano; deveria haver muito mais iniciativas desse tipo, com grande envolvimento das administrações e, talvez, dos governos regionais e estaduais, que deveriam fazer planos gerais”.

'CERTEZA' DE UMA FUTURA VISITA DO PAPA O arcebispo de Sevilha acredita que, na primeira viagem do Papa Leão XIV à Espanha, ele não visitará a capital andaluza, “passará voando por cima”, porque, “a menos que a Secretaria de Estado confirme, serão Madri, Catalunha e Canárias as regiões que receberão a chegada do sumo pontífice.

“Em princípio, o Papa visitará Madri, que é a capital, onde fica a Nunciatura, e lá se encontrará com os bispos e realizará outros atos", e depois, "a ocasião da viagem é propícia, sobretudo, pela Sagrada Família de Barcelona e o aniversário da morte de Gaudí e a inauguração da torre mais alta, a última, que representa o Senhor", acrescenta o prelado sevilhano.

Quanto às Ilhas Canárias, Monsenhor Saiz explica que a razão se deve ao fato de seu predecessor, o Papa Francisco, “durante a crise dos botes, ter comentado seu interesse em visitar esta zona e o Papa Leão ter acolhido esse desejo. Portanto, esta viagem consiste nisso, não é uma viagem mais geral". "Em Sevilha, não temos nenhum evento de destaque, não celebramos os 500 anos de... Não temos nenhuma data importante este ano, mas ela virá, teremos a oportunidade de que ele venha, com certeza", assegura. RESTAURAÇÃO DAS AZUCENAS

Monsenhor Saiz Meneses, questionado sobre a intervenção nas azucenas da Giralda, que serão retiradas do topo da torre depois que uma das quatro jarras de bronze caiu na Plaza Virgen de los Reyes como consequência da última tempestade, afirma que “não conhece em detalhes as fases desses trabalhos”, mas que “está sendo feito com diligência para resolver o mais rápido possível”. A este respeito, já estão a ser instalados os andaimes para a sua remoção. «Creio que está tudo a correr bem. Estas intempéries, oito tempestades consecutivas, são uma situação nova, e isso afeta muito os edifícios; quanto à Catedral, digamos que goza de boa saúde e está em boas mãos», acrescenta o arcebispo.

AS IRMANDADES, BARREIRA CONTRA A SECULARIZAÇÃO

O arcebispo defende a extraordinária “missão” das irmandades, “como importante ativo pastoral que são”, frente à secularização. “Aqui (em Sevilha) avançou menos pela piedade popular, pelas irmandades e pela devoção a Maria Santíssima, que é uma grande barreira contra a secularização”.

“Parece-me que Sevilha é estruturada, em grande parte, pelas irmandades, e isso eu acredito que é um tesouro, não um fardo pesado; pelo contrário, é um tesouro que deve ser cuidado”, acrescenta a esse respeito.

Monsenhor Saiz entende que nas irmandades sempre surgem problemas, seja no seio de uma corporação específica ou entre elas, como acontece em uma família numerosa, onde “um fica doente, outro cai e dois brigam”, aponta como metáfora. “As irmandades têm muitos valores e são uma grande família que deve ser compreendida, acompanhada, corrigida no que for necessário e muito amada: esse é o caminho”.

Por último, o arcebispo insiste no fato de que as procissões são cultos externos, ou seja, “atos de oração em que rezamos, com recolhimento, contemplando o passo, que costumam ser muito bonitos e nos ajudam na oração, ou podemos ficar absolutamente dispersos, conversando o tempo todo com o vizinho, cumprimentando metade do mundo e tirando selfies: isso não é uma estação de penitência”.

INÍCIO DA QUARESMA No que diz respeito à Quaresma em si, Monsenhor Saiz, que ocupa há cinco anos a sede de San Isidoro, lembrou que se trata de um tempo litúrgico que a Igreja “nos propõe como preparação para a Páscoa”, dado que a Semana Santa, “em que celebramos a paixão, morte e ressurreição do Senhor, é algo tão grande, tão profundo, que precisa de uma preparação: 40 dias em que a Igreja nos recomenda três práticas, oração, jejum e esmola”.

“O jejum não é apenas de comida, mas de tantas coisas dispensáveis que existem na vida e que a sociedade de consumo parece nos convencer do contrário”. Isso, neste tempo que antecede a Semana Santa, “onde todos os elementos são importantes, mas nem todos têm a mesma importância”, conclui.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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