A. Pérez Meca - Europa Press - Arquivo
Sira Rego acredita que “80 mil pessoas” não se deslocam sem o conhecimento de Marrocos
MADRID, 11 set. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, defendeu que a “responsabilidade” em matéria de proteção das fronteiras é compartilhada, mas destacou que Marrocos, “por ação ou omissão”, na entrada em massa de migrantes durante o mês de julho, também é responsável. “Marrocos tinha a chave da porta e, ou a abriu, ou a deixou aberta”, afirmou.
Em entrevista à ‘Onda Cero’, divulgada pela Europa Press, a ministra destacou como uma “falha” a terceirização dos serviços de proteção de fronteiras “concedida pela Europa” no controle da “única fronteira terrestre com a África”.
Por isso, ela quis reiteração a “responsabilidade” do reino alawita, “além da necessidade de se investigar a extensão de uma participação direta ou indireta”, mas sustentou que “claramente, quem tem a chave da porta deixou a porta aberta”.
O CNI NÃO PREVIU A MAGNITUDE DA ENTRADA EM MASSA DE MIGRANTES
Por outro lado, García afirmou que “ninguém” calculou a magnitude do que ocorreu nos dias 30 e 31 de julho na cidade autônoma porque, em sua opinião, nem mesmo o Centro Nacional de Inteligência (CNI) previu isso, já que, diante de um “alerta dessas características”, enviou uma mensagem pelo ‘WhatsApp’ ao chefe de gabinete do delegado do Governo em Ceuta, uma medida que, em sua opinião, não condiz com a dimensão da crise.
“Se você avalia isso como uma ruptura ou uma violação da integridade do nosso território, entendo que você deve alertar o ministro, seu superior, a cadeia de comando ou quem quer que seja, mas não enviar uma mensagem pelo 'WhatsApp' para a delegação do Governo”, afirmou em declarações à imprensa na Assembleia de Madri. Assim, García acusou “falta de previsão por parte de todos”, apontando o dedo para a Espanha e o Marrocos.
“80.000 PESSOAS” NÃO SE DESLOCAM SEM O CONHECIMENTO DO MARROCOS
Nesse contexto, a ministra da Infância e da Juventude, Sira Rego, ressaltou ainda que, “além da questão das provas” e do ponto de vista da “avaliação política”, “obviamente 80 mil pessoas” não se deslocam “sem que Marrocos tivesse algum tipo de conhecimento da situação”.
“Acredito que ainda há muito espaço para investigar e para entender o que realmente aconteceu”, afirmou ela em uma entrevista à ‘TVE’, na qual também destacou que a crise de Ceuta representou “o fracasso de um modelo migratório que externaliza a fronteira” e “que coloca nas mãos de um terceiro país o controle” da fronteira espanhola.
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