Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
MADRID, 14 ago. (EUROPA PRESS) -
A ala socialista do governo nega que a prorrogação da usina nuclear de Almaraz até o ano de 2030 signifique um descumprimento do acordo de governo assinado com o Sumar em 2023, pois ressaltam que o cronograma de desativação permanece em 2035 e, portanto, descartam uma ruptura no Executivo de coalizão, já que, de fato, o parceiro minoritário estava ciente do anúncio.
Depois que, nesta sexta-feira, o adiamento entrou em vigor com a publicação no Diário Oficial do Estado (BOE) da portaria do Executivo, o parceiro minoritário, Sumar, rejeitou a medida e acusou os socialistas de descumprir o acordo do governo de coalizão para esta legislatura, assinado em outubro de 2023.
Esse documento estabelece que o PSOE e o Sumar realizarão um fechamento das usinas nucleares “planejado, seguro, ordenado e socialmente justo”, que será executado “escalonando a cessação das operações de todas as usinas espanholas entre 2027 e 2035”.
De acordo com o cronograma inicialmente previsto, em 2027 seria desativado o primeiro reator de Almaraz, na província de Cáceres, e no ano seguinte a usina encerraria completamente suas atividades, mas os socialistas decidiram adiá-lo devido à “situação energética internacional excepcional e imprevista” causada pela guerra no Oriente Médio e pela continuidade do conflito na Ucrânia.
O PP e as empresas de energia vinham reivindicando essa medida, mas o Sumar a criticou duramente, ao considerar que a decisão obedece a “pressões corporativas e não a necessidades técnicas, ambientais ou de competitividade econômica” e representa uma “profunda ruptura” do compromisso assumido com os cidadãos no início da legislatura. Além disso, apontam que o governo de coalizão segue, assim, “o caminho da direita e da extrema direita”, segundo fontes do grupo confederal.
APENAS UMA USINA DO PARQUE NUCLEAR FOI ALTERADA
No entanto, fontes de Moncloa consultadas pela Europa Press tentam minimizar o impacto, considerando que “não é grave” e descartando que isso possa levar a uma ruptura interna no Executivo de coalizão.
Nesse sentido, alegam que o acordo de governo estabelece que o fechamento das usinas nucleares ocorrerá em 2035 e que esse cronograma continua em vigor, não foi alterado, tendo-se prorrogado apenas pontualmente a data de fechamento de Almaraz, adiando-a de 2027 para 2030.
Salientam ainda que o Sumar, como parte do governo, sabia que esse anúncio seria feito nesta sexta-feira e, portanto, sustentam que a situação é normal.
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