Gabriela Sardá Núñez - Europa Press
Rejeitam as críticas “irresponsáveis” do PP e ressaltam que a ação foi “cívica” e “sem violência”
MADRID, 18 set. (EUROPA PRESS) -
O governo se mostra satisfeito com a operação policial para transferir milhares de migrantes nesta sexta-feira para o acampamento temporário instalado no porto de Ceuta; considera que a operação foi bem conduzida e funcionou apesar da complexidade, e rejeita as críticas “irresponsáveis” do PP.
Por volta das 13h desta sexta-feira, o Executivo deu por encerrada a operação de transferência de 1.700 migrantes que se encontravam nas praias de El Trampolín e Benítez, e todas as vagas foram preenchidas.
Com isso, o número de vagas habilitadas e ocupadas em espaços temporários de acolhimento chega a 6.000, mas ainda restam entre 3.000 e 4.000 migrantes nas ruas, conforme indicam fontes de Moncloa com base nos números fornecidos pelas Forças e Órgãos de Segurança do Estado mobilizados em Ceuta.
A transferência começou logo pela manhã, em meio a muita tensão, com migrantes correndo e intervenções policiais para controlar a operação — a mais complicada já realizada na Espanha com essas características, segundo informações do Executivo. Ao avistarem as primeiras patrulhas, eles começaram a correr para serem os primeiros a chegar ao porto, mas os agentes conseguiram controlá-los, explicam.
HAVIA MAIS MIGRANTES DO QUE O ESPERADO
Nunca antes 1.700 migrantes haviam sido transferidos simultaneamente, mas, mesmo assim, tudo funcionou, correu bem e foi possível gerenciar a situação em poucas horas, afirmam no Governo, com satisfação por não ter havido atos de violência. No entanto, o parceiro minoritário da coalizão, o Sumar, criticou o fato de os agentes terem avançado para conter os migrantes.
A atenção da mídia sobre essa operação dificultou ainda mais sua execução, indicam as fontes citadas, que admitem que havia muito mais pessoas preparadas para chegar ao porto do que aquelas que permaneceram nas praias nos últimos dias.
Todos sabiam que a operação seria realizada nesta sexta-feira, depois que, na véspera, a Audiencia Nacional suspendeu a proibição temporária de montar barracas no porto, e essa circunstância, segundo elas, fez com que muitos migrantes descessem das montanhas e saíssem das casas onde aguardavam há semanas diante de um realojamento iminente.
CRÍTICAS DO PP “FORA DA REALIDADE”
O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, criticou essa transferência, apontando que o único caminho possível é o retorno ao Marrocos. Em sua opinião, o presidente do Governo, Pedro Sánchez, é o único responsável pelo “barril de pólvora” em que Ceuta se transformou e exigiu que ele disponibilize os meios necessários para remediar a situação.
Em Moncloa, rejeitam essas acusações, considerando que o PP exerce uma crítica “irresponsável” e que está fora da realidade porque, insistem, a operação transcorreu bem e não ocorreram confrontos. Feijóo, dizem eles, apenas repete que todos sejam mandados de volta, mas isso vai contra a lei.
No PP sabem disso e, por isso, afirmam que, apesar de os menores estarem sob a responsabilidade do governo de Ceuta, não os mandam de volta para o Marrocos, pois sabem que estariam infringindo a lei.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático