Europa Press/Contacto/Zoraida Diaz
BRUXELAS 2 jun. (EUROPA PRESS) -
A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOE) na Colômbia considerou que as eleições presidenciais realizadas neste domingo no país latino-americano transcorreram de forma “transparente”, bem como “pluralista e competitiva”, depois que o presidente Gustavo Petro denunciou uma suposta fraude eleitoral causada por alterações no censo eleitoral e nas seções eleitorais.
O chefe da Missão, Esteban González Pons, afirmou isso em uma coletiva de imprensa na qual comemorou que “mais uma vez, a Colômbia deu uma lição de democracia”. “Apesar da presença de grupos armados ilegais em parte do território, apesar das contestações ao sistema eleitoral e apesar de uma crescente polarização, a Colômbia levou as urnas a todas as aldeias”, destacou o eurodeputado espanhol.
Pons descreveu como “pluralista e competitiva” a primeira volta — da qual saíram vitoriosos o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella e o candidato do partido no poder, Iván Cepeda — e elogiou o fato de a participação ter atingido nesta disputa “um nível histórico” de 58%.
O vice-presidente do Parlamento Europeu explicou que a Missão — que durante o dia eleitoral contou com 143 observadores provenientes de 24 países da UE, além da Noruega, Suíça e Canadá — “classificou todas as fases do processo como transparentes, organizadas e fluidas, e constatou que os representantes das candidaturas puderam desempenhar suas funções sem restrições”.
Nesse sentido, ele ressaltou que “todos os candidatos puderam verificar a regularidade do processamento dos resultados e não formularam objeções que os questionassem” e manifestou sua confiança de que “esse mesmo compromisso democrático se mantenha no segundo turno”, previsto para o próximo dia 21 de junho.
A eurodeputada Leire Pajín, que lidera a delegação do Parlamento Europeu integrada na Missão, também se pronunciou nestes termos, afirmando que espera que “o segundo turno se desenrole igualmente de forma pacífica, democrática, sem interferências de qualquer tipo e com pleno respeito à soberania da Colômbia e à vontade dos cidadãos”.
As declarações da Missão — que permanecerá na Colômbia para observar o segundo turno e por mais dois meses após a conclusão do processo — surgem depois que o presidente Petro denunciou fraude eleitoral, chegando a afirmar nesta mesma terça-feira que possui provas disso.
Assim, ele calculou em 885.409 o número de “novos eleitores que não se registraram na data legal” na discrepância entre o censo oficial e o do software de pré-contagem, ao mesmo tempo em que aponta que o software conta com 696 seções eleitorais a mais.
“Isso altera os números totais”, indicou ele, para ressaltar que há precisamente 5.300 seções eleitorais que registram “mais de 300 votos no dia”, “que é o número máximo que pode ser votado durante o horário de votação”, “muitas chegam a 700 votos”.
Segundo ele, é nessas seções "que se concentra a vantagem de 635.000 votos com que Abelardo supera Cepeda". “Apresento os dados completos das 5.300 seções eleitorais”, sublinhou, insistindo que coloca à disposição das autoridades os dados que comprovam as supostas irregularidades denunciadas na véspera e que, de qualquer forma, não foram corroboradas pelo próprio Cepeda.
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