Publicado 15/06/2026 08:32

Ministros das Relações Exteriores da UE apoiam o caminho europeu de Kiev, mas divergem quanto ao ritmo do processo de ampliação

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, no Conselho de Relações Exteriores (CAE) que se realiza nesta segunda-feira em Luxemburgo.
ALEXANDROS MICHAILIDIS

BRUXELAS 15 jun. (EUROPA PRESS) -

Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia comemoraram nesta segunda-feira a abertura do primeiro grupo de capítulos de negociação para a adesão da Ucrânia e da Moldávia, embora com diferentes nuances quanto ao ritmo, às condições e ao próprio desenho do processo de ampliação.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou em declarações à chegada que “está claro” que a abertura das negociações com Kiev e Chisinau “demorou demais” porque estava bloqueada pelo veto húngaro. Assim, ele expressou seu apoio a ambos os países para acompanhá-los no “trabalho tão exigente e difícil” que é preparar a adesão à UE.

Por sua vez, o chefe da diplomacia da Alemanha, Johann Wadephul — país que defendeu uma adesão acelerada dos países candidatos —, sublinhou que o processo deve continuar a ser orientado pelo princípio do mérito próprio e manifestou o seu apoio à abertura das negociações, embora tenha enfatizado que a Ucrânia deve empreender “reformas importantes”.

Sua homóloga austríaca, Beate Meinl-Reisinger, defendeu que o processo de adesão seja acelerado. “Se analisarmos, é muito longo, muito burocrático e tem inúmeros pontos em que é necessária unanimidade. Não me parece sensato, e outros Estados também não acreditam nisso”, reforçou, acrescentando que a União cairia em uma “autoparalisia” se transformasse esse processo em algo que demorasse de 10 a 20 anos.

OS PAÍSES BÁLTICOS PEDEM QUE NÃO SE CRIEM MAIS OBSTÁCULOS

No mesmo sentido se expressou o ministro da Lituânia, Kestutis Budrys, que defendeu que o alargamento deve ser acelerado e propôs que a União Europeia esteja preparada para acolher novos Estados-Membros “antes de 2030”, ao considerar que o processo depende de uma decisão política e que não devem ser impostos “obstáculos adicionais”.

O mesmo foi solicitado pelo responsável da Estônia, Margus Tsahkna, que, após comemorar a abertura dos primeiros grupos de negociação após anos de impasse, defendeu que o alargamento é uma “decisão política” que deve avançar sem ficar paralisada “agora que (Viktor) Orbán já não está”.

A ministra das Relações Exteriores da Letônia, Baiba Braze, defendeu a concessão de “um status especial” à Ucrânia para acelerar sua adesão à União. “Somos absolutamente flexíveis quanto a isso”, afirmou, defendendo fórmulas que permitam à Ucrânia aproximar-se do funcionamento da UE e participar mais estreitamente em suas dinâmicas antes de concluir plenamente o processo de adesão.

MAIS APOIO POLÍTICO À ADESÃO

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, classificou a abertura dos capítulos como uma “boa notícia” e um sinal de apoio da União Europeia à Ucrânia e à Moldávia, e demonstrou sua confiança de que ambos os países venham a fazer parte da “família europeia” no futuro.

A ministra romena, Oana-Silvia Toiu, também se expressou nesse sentido, mostrando-se convencida dos benefícios para a União Europeia de apoiar a Ucrânia “em seu caminho europeu”, por isso comemorou a abertura do primeiro grupo de capítulos e pediu um “trabalho acelerado durante o verão” para abrir o restante dos grupos de capítulos.

Por sua vez, a ministra da Finlândia, Elina Valtonen, destacou que a UE deve melhorar sua capacidade de tomada de decisões se quiser ganhar peso geopolítico, e defendeu que o processo de reformas nos países candidatos “é essencial” para garantir padrões de democracia e transparência.

Sua homóloga irlandesa, Helen McEntee, cujo país assumirá a presidência do Conselho da UE a partir de julho, indicou que, quando assumirem o cargo, trabalharão para que ambos os países abram todos os grupos de capítulos “o mais rapidamente possível” e para apoiá-los nas “reformas necessárias”.

SEM ATALHOS NA AMPLIAÇÃO

A ministra das Relações Exteriores da Hungria, Anita Orbán, por sua vez, condicionou o avanço da Ucrânia no processo de adesão ao cumprimento de um acordo sobre a proteção dos direitos das minorias nacionais, em particular da minoria húngara na Ucrânia, que considera uma condição fundamental para a integração.

“Para a Hungria, o cumprimento e a aplicação deste acordo constituem uma condição fundamental no processo de integração europeia da Ucrânia”, indicou ela, acrescentando que também apoiam o processo de adesão da Moldávia agora que seu país “retorna com um compromisso renovado com o futuro comum europeu”.

O ministro das Relações Exteriores do Luxemburgo, Xavier Bettel, afirmou que o caminho para a adesão é “exigente e longo”, embora tenha se mostrado satisfeito com o avanço e tenha insistido que os países candidatos continuam sendo “bem-vindos” na União Europeia, “mesmo que ainda tenham tarefas a cumprir”.

Sua colega sueca, Maria Malmer Stenergard, apoiou a abertura total dos grupos de negociação “porque a Ucrânia merece”, embora tenha insistido que o processo deve continuar baseado no mérito e que a adesão plena deve ser o objetivo final, sem soluções intermediárias. “Não deve haver tratamento especial”, concluiu.

Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, destacou que a entrada da Ucrânia nas negociações representa um “ponto de chegada” na relação com a União Europeia, ao dar a Kiev uma perspectiva clara sobre seu futuro europeu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado