MADRID 11 jul. (EUROPA PRESS) -
Os ministros da Defesa e representantes de 33 países do continente americano assinaram nesta sexta-feira a Declaração de Cusco, um documento que reúne os principais consensos alcançados durante a XVII Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA), realizada na cidade peruana de Cusco.
O ministro da Defesa do Peru, Amadeo Flores, informou em um comunicado que a assinatura do texto encerra uma reunião ministerial na qual as delegações participantes mantiveram várias jornadas de diálogo sobre os principais desafios em matéria de defesa e segurança na região.
“Como encerramento da XVII Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA), realizada na cidade de Cusco, ministros da Defesa e representantes de 33 países do continente assinaram a Declaração de Cusco, documento que reúne os principais acordos, entendimentos e compromissos alcançados durante as jornadas de diálogo estratégico realizadas nesta edição da conferência”, destacou o ministério.
De acordo com o Ministério, a declaração reafirma o compromisso dos Estados signatários com a Carta das Nações Unidas, a Carta da Organização dos Estados Americanos (OEA), a Carta Democrática Interamericana, o Direito Internacional Humanitário e a proteção dos Direitos Humanos.
O texto também aposta no reforço da cooperação regional para combater o crime organizado transnacional, o terrorismo, as economias ilícitas e outras ameaças emergentes por meio de um maior intercâmbio de informações, do fortalecimento de capacidades e de uma coordenação mais estreita entre os Estados.
Além disso, a declaração destaca a necessidade de avançar na proteção de infraestruturas críticas, ampliar a cooperação em matéria de ciberdefesa e promover a assistência humanitária e a resposta conjunta a situações de desastre.
“POLÍTICAS DE ESTADO QUE SÃO ADOTADAS AO LONGO DO TEMPO”
O ministro da Defesa peruano destacou, após o encerramento da conferência, que os compromissos contidos na Declaração de Cusco “não se referem mais apenas a ações pontuais, mas a políticas de Estado que são adotadas ao longo do tempo”, e ressaltou que o processo de organização do fórum “passou por três governos” e que os acordos serão transferidos para o próximo Executivo para garantir sua continuidade.
Conforme explicou Flores em uma coletiva de imprensa, os consensos alcançados visam consolidar a coordenação entre os Estados para enfrentar ameaças comuns. Nesse sentido, ele destacou que um dos principais resultados da XVII CMDA consiste em fortalecer a cooperação operacional entre as Forças Armadas do continente por meio de mecanismos como operações coordenadas em zonas de fronteira, o intercâmbio de informações e o aconselhamento mútuo.
“A importância deste evento é que ele nos permite gerar sinergias e ações cooperativas para que possamos atuar em conjunto com nossas Forças Armadas”, afirmou.
O ministro peruano destacou também a aprovação do Mecanismo de Cooperação em Caso de Desastres (MECODEX), uma ferramenta destinada a facilitar respostas conjuntas diante de emergências de grande magnitude. Segundo explicou, esse instrumento permitirá “coordenar respostas entre os países de maneira sinérgica e muito mais rápida, evitando ou procurando contornar barreiras burocráticas para intervir com maior facilidade e agilidade”.
Além disso, ele defendeu que a conferência consolidou uma visão “multidimensional” da segurança, na qual as políticas de defesa também incluem a proteção da população e a resposta a desastres naturais. “Falamos idiomas diferentes, mas enfrentamos desafios comuns e, ao trabalharmos juntos, podemos fortalecer e unir um hemisfério mais seguro”, concluiu.
Ao término da conferência, o Peru passou aos Estados Unidos a presidência “pro tempore” da CMDA, responsabilidade a partir da qual deverá promover o acompanhamento e a implementação dos acordos alcançados durante esta edição do fórum.
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