Publicado 12/05/2026 09:02

Ministro das Relações Exteriores reconhece ter uma “dívida” para com os detidos nos protestos de 2023 contra a crise eleitoral

O ministro das Relações Exteriores da Guatemala, Carlos Ramiro Martínez (à esquerda), durante uma coletiva de imprensa na Casa América, em 12 de maio de 2026, em Madri (Espanha).
Diego Radamés - Europa Press

O ministro das Relações Exteriores, Carlos Ramiro Martínez, confirma a presença do presidente Arévalo na Cúpula Ibero-Americana de Madri, em novembro

MADRI, 12 maio (EUROPA PRESS) -

O ministro das Relações Exteriores da Guatemala, Carlos Ramiro Martínez, reconheceu que há uma “dívida” para com os líderes indígenas Luis Pacheco e Héctor Chaclán, que lideraram os protestos de 2023 contra as pressões do Ministério Público para reverter a vitória eleitoral do presidente Bernardo Arévalo, e confia que, com a nova Procuradoria, “eles possam recuperar sua liberdade”.

“Há uma dívida para com eles, como líderes, como cabeças de um movimento que teve esse apoio (...) sim, há um compromisso para com os dois como líderes e para com as comunidades que representam”, afirmou nesta terça-feira o ministro das Relações Exteriores, em um encontro informativo organizado pela Agência EFE, na Casa América, em Madri.

Martínez expressou assim sua confiança de que as novas autoridades do Ministério Público saberão resolver o caso de Pacheco e Chaclán — acusados de terrorismo nas manifestações pacíficas de 2023 —, bem como o de outras pessoas, como o renomado jornalista José Zamora, todos declarados prisioneiros de consciência pela Anistia Internacional.

“Tenho a esperança e a confiança de que, com o novo procurador, esse tipo de caso seja totalmente esclarecido, para que eles possam recuperar sua liberdade”, afirmou Martínez, poucos dias após Gabriel García Luna ter sido nomeado titular do Ministério Público, em substituição a Consuelo Porras, que consta na lista de sanções da União Europeia, dos Estados Unidos e do Canadá, juntamente com outros procuradores.

Nesse sentido, ele destacou que o novo procurador tem diante de si “a grande tarefa” de “iniciar uma purga total dos principais cargos”, uma vez que, mais uma vez, e apesar de as missões eleitorais internacionais afirmarem o contrário, os “principais procuradores” do Ministério Público continuam defendendo que houve fraude.

“Não se trata de uma caça às bruxas”, sublinhou o ministro das Relações Exteriores da Guatemala, que considera fundamental “desmantelar” aquelas “estruturas” que, nos últimos anos, basearam suas investigações em “processos espúrios, em denúncias falsas que foram feitas contra juízes, magistrados, jornalistas ou defensores dos direitos humanos”.

Assim, ele aponta que entre os desafios de García Luna e sua equipe está determinar quais investigações devem continuar e quais não. “Parte das tarefas do novo procurador é avaliar esses processos e redirecioná-los de maneira diferente”, disse ele, citando como “casos emblemáticos” os já mencionados de Zamora, Pacheco e Chaclán.

No caso dos dois representantes dos 48 Cantones de Totonicapán, Martínez lembrou que “eles continuam detidos há mais de um ano em um processo que não avança”, que tem sido conduzido em “sigilo” e no qual seus advogados não tiveram acesso aos autos para saber qual é a melhor maneira de defendê-los.

O ministro das Relações Exteriores da Guatemala destacou que, em contraste com esses casos, existem outros de corrupção “claramente fundamentados” nos quais os acusados estão “tranquilamente em suas casas” e denunciou que é “evidente” que, dentro do atual sistema fiscal guatemalteco, “há preferências”.

“Não se trata de manipular a justiça, trata-se de justiça. Trata-se simplesmente de voltar aos processos, às formas como se conduz uma investigação criminal, como se fundamentam os casos (...) Isso vai restabelecer uma ordem ou uma forma de funcionamento do Ministério Público, que se perdeu nos últimos anos”, afirmou em relação ao papel que desejam que o novo procurador-geral desempenhe.

CONFIRMA A PRESENÇA DE ARÉVALO NA CIMEIRA DE MADRID

Martínez aproveitou sua visita a Madri para confirmar que o presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, participará da XXX Cúpula Ibero-Americana, que será realizada na capital nos dias 4 e 5 de novembro de 2026, e que certamente receberá uma numerosa plêiade de chefes de governo e de Estado.

O ministro confia que este evento represente “uma nova etapa” deste fórum, que nos últimos anos “tem perdido um pouco de força”, mas no qual continua a haver “uma agenda e um espaço compartilhado, o espaço dos americanos, onde a cooperação, a relação e a coordenação entre os países são o mais importante”.

Martínez destacou que, ao contrário de outros fóruns internacionais, o “espaço ibero-americano” não tem uma vertente ideológica tão acentuada. “Vai além disso. É um compromisso histórico com os laços que mantemos com a Espanha e tudo o que temos a oferecer no futuro”, enfatizou.

RELAÇÃO COM OS EUA E BOA VIZINHANÇA

O ministro das Relações Exteriores minimizou a importância da guinada à direita pela qual apostaram alguns dos vizinhos regionais da Guatemala e ressaltou que seu país sempre manterá uma boa relação com aqueles que defendem princípios como a defesa da democracia, o Estado de Direito ou os Direitos Humanos.

"Nossa região é um exemplo clássico do pêndulo, de como a posição ideológica varia de um momento para outro (...) O espaço político é amplo; se os governos são resultado de um processo democrático válido e transparente, nossa tarefa é nos apoiarmos mutuamente, buscando estabelecer a melhor relação possível", afirmou.

Da mesma forma, minimizou a importância do fato de a Guatemala não ter sido um dos doze países do continente que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou no início de março para um encontro em Miami, batizado de Escudo das Américas, no qual foram abordados temas que vão desde a luta contra o narcotráfico, o crime organizado e a imigração até como reduzir a influência da China na região.

Assim, ele destacou que, mesmo não tendo participado desse encontro, “dois dias antes”, a Guatemala participou de uma reunião dos ministros da Defesa da região para abordar o tema da insegurança e do crime organizado, e que os temas da agenda que compartilham com Washington continuam sendo os mesmos há anos.

“As relações estão bem. É uma aliança estratégica (...) Levando em conta a dimensão de cada um dos dois países, o que são ou representam os Estados Unidos e o que é ou representa a Guatemala, nos consideramos parceiros estratégicos, trabalhamos em conjunto”, enfatizou o ministro.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado