Europa Press/Contacto/Michael Baucher - Arquivo
MADRID 22 jul. (EUROPA PRESS) -
A emenda parlamentar que reintroduziu dois pesticidas na legislação agrícola francesa por meio da chamada lei agrícola de emergência custará o cargo no Executivo francês à ministra da Transição Ecológica, Monique Barbut, que se opõe à medida, e que renunciará após a aprovação do texto e diante da ausência de objeções por parte do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu.
“Na minha opinião, não tenho outra opção a não ser apresentar minha renúncia. Ou você é ministra ou não é. Hoje, na minha opinião, amanhã já terei me ido”, afirmou a ministra na noite de terça-feira durante uma reunião com um pequeno grupo de pessoas, à qual a emissora franceinfo teve acesso e que também foi divulgada por meios de comunicação franceses, como a emissora de TV BFMTV e os jornais ‘Le Monde’ e ‘Le Parisien’.
Quanto à possibilidade de o presidente francês, Emmanuel Macron, aceitar ou não sua renúncia, Barbut declarou: “Se minha renúncia for aceita, eu vou embora. Se for rejeitada, vai depender do que for dito e de como for dito amanhã (quarta-feira)”.
No cargo desde outubro de 2025, a ministra expressou seu desacordo com o projeto de lei agrícola de emergência, que foi aprovado definitivamente pelo Parlamento na terça-feira, 21 de julho, após a votação no Senado.
O texto autoriza a Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e do Trabalho (ANSES, na sigla em francês) a reintroduzir, a título excepcional e em um número reduzido de setores em dificuldades, os pesticidas acetamipride e flupiradifurona, proibidos na França, mas autorizados na União Europeia.
Inicialmente, essa medida não estava incluída no projeto de lei do governo, mas foi acrescentada por meio de uma emenda no Parlamento e mantida durante a reunião da comissão mista na última quinta-feira. Na segunda-feira, o primeiro-ministro anunciou que não tinha intenção de apresentar uma emenda para eliminar essa isenção.
“Ela ficou tão surpresa quanto os demais membros do Parlamento com essa questão”, declarou à franceinfo uma fonte próxima a Monique Barbut, que se reuniu com Lecornu nesta mesma terça-feira, ao meio-dia.
“Mais do que o artigo sobre o acetamipride, é a recusa do governo em debatê-lo” que leva a ministra a renunciar, informou seu círculo de assessores à emissora France Inter — do mesmo grupo de mídia que a franceinfo —, acrescentando ainda que “Lecornu havia se comprometido publicamente a não incluir o acetamipride no texto”.
Nesse contexto, a presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, convidou Barbut a “ser fiel a quem ela é e ao que sempre defendeu, mantendo-se coerente consigo mesma”, conforme declarou durante uma coletiva de imprensa realizada na noite de terça-feira na Assembleia.
Resta agora saber se Macron conseguirá convencer a ainda ministra a permanecer no cargo. Diante dessa questão, um membro do círculo próximo a Barbut afirmou, segundo reportagem da BFMTV, ter visto “o presidente da República realizar milagres em algumas ocasiões”.
O chefe do Eliseu, por sua vez, afirmou na própria sede da Assembleia Nacional que, “quando alguém se dedica à política, deve ser fiel às suas convicções”. “Acredito que é isso que os franceses esperam de nós. Portanto, deixo que ela tome sua própria decisão. De qualquer forma, o importante é agir de acordo com as convicções mais profundas”, declarou Macron à imprensa.
Dessa forma, Barbut poderia deixar o Executivo francês apenas nove meses após assumir a pasta, que também inclui Biodiversidade e Negociações Internacionais sobre Clima e Natureza.
Sua nomeação, em outubro de 2025, foi a de uma especialista em sua área, com anos de experiência como presidente na França da ONG Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês), secretária executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, e presidente e diretora executiva do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), entre outros cargos de destaque.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático