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MADRID 7 jul. (EUROPA PRESS) -
O procurador-geral do Brasil, Paulo Gonet, defendeu nesta segunda-feira que o senador e pré-candidato presidencial de extrema direita Flávio Bolsonaro compareça a uma audiência perante a Polícia Federal no âmbito da investigação aberta contra ele por possíveis calúnias contra o presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltando que ele poderia evitar uma condenação caso se retratasse.
“Persiste a necessidade de uma audiência com o Sr. Flávio Nantes Bolsonaro, uma medida de particular relevância, especialmente pela possibilidade de retratação, que poderia isentar o investigado de punição”, destacou o procurador em um documento enviado ao juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito, e divulgado pelo jornal brasileiro “Folha”.
De acordo com a legislação brasileira, se um acusado de calúnia se retratar antes da prolação da sentença, fica isento da pena, podendo utilizar para a retificação o mesmo meio empregado para cometer o crime — neste caso, as redes sociais.
O caso gira em torno de uma publicação feita pelo senador em 3 de janeiro de 2026, no mesmo dia em que os Estados Unidos intervieram militarmente na Venezuela para capturar o presidente Nicolás Maduro, em uma operação que deixou mais de uma centena de mortos.
“Lula será denunciado. Acabou o Fórum de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a terroristas e ditaduras, eleições fraudulentas...”, afirmava então Flávio Bolsonaro, utilizando o fórum latino-americano de esquerda para vincular Lula às acusações feitas pelos Estados Unidos contra Maduro.
Por causa dessas palavras, a Polícia Federal brasileira considerou “evidente”, no final de junho, que “o senador Flávio Bolsonaro, por meio de sua publicação, imputou falsamente ao presidente Lula a prática dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro, crimes expressamente tipificados em nosso ordenamento jurídico”.
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