CADIZ 15 set. (EUROPA PRESS) -
A promotora especial antidrogas em Cádiz, Ana Villagómez, insistiu que o Ministério Público vem pedindo "três ou quatro anos" em seu relatório para a criminalização do tráfico de drogas porque "está aumentando e é um perigo", o que não foi alcançado "ainda". Além disso, ele advertiu que a introdução de cocaína "está aumentando constantemente", bem como "por meio de narco-barcos das mesmas organizações envolvidas no tráfico de haxixe, que deram um passo adiante".
Em uma entrevista à Canal Sur Radio, captada pela Europa Press, Villagómez explicou que "é uma atividade auxiliar, mas necessária, porque se não houvesse gasolina, os traficantes de drogas não poderiam operar". Nesse sentido, ele destacou que, desde 2018, considera-se que esses barcos de narcotráfico são mercadorias proibidas, não se aproximam das costas porque podem ser apreendidos e enfrentar um crime, mas "a atividade de "petaqueo" ainda não foi considerada completamente criminosa".
Ele explicou que ainda há casos que não foram julgados e "há discrepâncias, critérios legais conflitantes entre os magistrados de Cádiz, e já temos pelo menos 50 casos de pirataria". "Essa é a lacuna, estamos pedindo uma classificação desse crime que ainda não conseguimos", embora "estejamos pedindo há três ou quatro anos nos relatórios porque vemos que isso está aumentando e é um perigo", disse ele.
Villagómez lembrou que recentemente houve um caso de um barco que transportava 2.000 litros, mas eles carregaram o barco em um posto de gasolina na cidade de Cádiz, transportaram-no para outra área em toda a cidade de Cádiz e, "milagrosamente, nada aconteceu". "Trata-se de um perigo evidente e são organizações a serviço de outros, porque é evidente que são pessoas que têm a infraestrutura necessária, uma infraestrutura cada vez mais sofisticada", enfatizou.
VIOLÊNCIA
Por outro lado, com relação à violência utilizada pelos narcotraficantes, a promotora lembrou que "esse fenômeno é muito difundido, toda a costa é um local de descarga e eles utilizam todos os meios necessários, inclusive a violência, para garantir que a carga não seja interceptada". Ela alertou que "o uso de violência contra as Forças de Segurança do Estado e o Corpo de Bombeiros é frequente quando eles tentam detê-los".
Nesse sentido, apontou a desigualdade existente entre os meios utilizados para cometer crimes e os meios utilizados para combater o tráfico de drogas, observando que os recursos policiais "obviamente têm problemas".
"Foi visto" no caso de Barbate - com dois guardas civis mortos em 9 de fevereiro de 2024 - que "eles estavam fazendo um desafio ao Estado, porque naquele momento eles estavam rindo da falta de recursos que tinham, vendo que o barco era muito pequeno e eles tinham vários barcos de narcotráfico". "Foi como um desafio, como se dissessem que somos melhores, que podemos enfrentar vocês", acrescentou.
AUMENTO DA COCAÍNA
Por outro lado, ele explicou que o haxixe continua sendo a principal droga traficada, justamente porque Cádiz e toda a costa andaluza estão muito próximas do Marrocos, que é um dos principais produtores dessa droga. "Obviamente, somos um país de trânsito, o haxixe vem do Marrocos e tem de chegar aqui, onde já é distribuído, mas também é verdade que a cocaína está aumentando constantemente", alertou.
Nesse sentido, ele indicou que, além dos portos, como Algeciras, "também começou, e também é um padrão, a introdução através dos narcobarcos pelas mesmas organizações que se dedicam ao tráfico de haxixe, que deram um passo adiante e também estão trazendo cocaína em narcobarcos".
Quanto às rotas usadas para introduzir as drogas, Villagómez indicou que "as organizações tentam procurar as brechas que consideram mais fáceis para introduzir as drogas e, quando uma área é enfatizada, elas procuram outras". Assim, ele explicou que "na Espanha, por exemplo, a entrada de cocaína com maior intensidade se deve à segurança proporcionada pelos portos europeus, como Antuérpia e Roterdã, que aumentaram sua segurança e, portanto, parece ser mais difícil".
"Eles continuam a trazê-la, mas isso os levou a mudar o sistema e agora, em vez de enviá-la toda por contêineres, eles também a enviam por navios de carga que chegam ao Atlântico e lá são apanhados pelos narcotraficantes", indicou.
AUMENTO DE PROCESSOS EM JEREZ DEVIDO AO USO DO RIO GUADALQUIVIR
Com relação ao Relatório do Ministério Público, ele lembrou que ele indica que em Jerez "houve um grande aumento" nos processos abertos, "sobretudo pelo uso do rio Guadalquivir", já que Sanlúcar de Barrameda pertence à Promotoria da Área de Jerez e lá "os procedimentos e investigações contra organizações aumentaram".
"Também vimos como a cocaína chega às cidades de Sevilha, onde é armazenada, e tudo isso se traduz no uso de meios sofisticados, narcobarcos, armas de guerra, toda vez que há um esconderijo, armas de guerra são usadas para defendê-lo, porque é claro que o roubo de drogas entre as organizações também é muito preocupante e gera muita violência entre elas", enfatizou.
Por fim, o promotor antidrogas afirmou que "muitas pessoas que estão envolvidas no tráfico de haxixe têm a percepção de que essa atividade não é tão grave e a justificam porque dizem que não têm outros meios".
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