MADRID, 27 mar. (EUROPA PRESS) -
A procuradora-geral da Colômbia, Luz Adriana Camargo, adiantou que reativará ao longo desta semana o mandado de prisão contra Alexander Mendoza, conhecido como “Calarcá”, caso o próprio governo não o faça, em resposta à falta de compromisso da dissidência das FARC que ele comanda com o processo de negociação.
Camargo informou que explicaram em várias ocasiões ao comissário para a Paz, Otty Patiño, a necessidade de reativar este e outros mandados de prisão, incluindo os dos líderes da Frente 33, “visto que não há vontade de paz”.
“Estamos esperando que o comissário tome essa decisão; caso contrário, a Promotoria a tomará por conta própria”, advertiu a promotora, que estabeleceu “esta semana” como prazo para que Patiño anuncie a decisão de revogar a suspensão dessas ordens de prisão, conforme detalhou em entrevista à Blu Radio.
Camargo informou que comunicaram à equipe de Patiño a possível ligação de ‘Calarcá’ ao assassinato de um líder social com base nas provas coletadas durante uma operação militar contra o próprio líder da dissidência do Estado-Maior dos Blocos e Frentes (EMBF), em julho de 2024.
“O que encontramos ali foi exatamente a conversa escrita que ele mantém em um chat com o executor material desse homicídio e, em seguida, a evidência de que essa morte, por ordem dele, teria sido executada”, revelou a procuradora-geral.
O EMBF é composto por três estruturas, entre elas o bloco Jorge Briceño, liderado por 'Calarcá', considerado o líder máximo dessas dissidências, que nada mais são do que uma cisão do Estado-Maior Central (EMC) das FARC, comandado por Néstor Vera Fernández, conhecido como 'Iván Mordisco'.
Apesar das negociações com o governo, as Forças Armadas da Colômbia sempre afirmaram que elas não foram um obstáculo para continuar suas operações contra o grupo. “Em nenhum momento nos amarraram as mãos”, disse recentemente o general Ricardo Roque, comandante da Quarta Divisão do Exército.
COLABORAÇÃO COM A VENEZUELA
Por outro lado, a procuradora-geral também adiantou que solicitarão a colaboração do governo da Venezuela para deter os líderes de outra das principais dissidências das extintas FARC, a Segunda Marquetalia, do histórico líder guerrilheiro Luciano Marín Arango, conhecido como “Iván Márquez”.
A ordem responde às últimas revelações da investigação sobre o assassinato do senador Miguel Uribe. Um dos detidos apontou diretamente para a liderança do grupo armado, entre eles o citado “Iván Márquez” e José Sierra Sabogal, conhecido como “Zarco Aldinever”, que se suspeita estarem escondidos na Venezuela.
“Temos que ativar os canais diplomáticos porque mantemos relações com nossos pares na Venezuela (...) contamos também com a colaboração do sistema judicial venezuelano para localizar essas pessoas”, afirmou.
Camargo antecipou que irão ativar esses contatos bilaterais, uma vez que já contam com o apoio de organismos internacionais, como a Interpol, para localizar esses dois líderes, cuja detenção vai além do âmbito meramente policial, pois se trata de dois alvos considerados de alto valor.
Da mesma forma, ela colocou em dúvida as especulações sobre a morte dos dois guerrilheiros. “Precisamos de muito mais do que boatos para acreditar em mortes ou doenças”, concluiu a promotora. “Não temos nenhum cadáver”, disse ela em relação a ‘Zarco Aldineber’, cuja morte foi divulgada pelo governo em agosto de 2025.
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