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MADRI, 19 ago. (EUROPA PRESS) -
As agências anticorrupção ucranianas lançaram nesta quarta-feira uma operação relacionada a um novo caso de corrupção política, que, desta vez, também envolve o Gabinete Presidencial de Volodimir Zelenski, por suspeita de organização criminosa e desvio de dinheiro, o que, além disso, está relacionado à operação “Midas”, que ganhou grande destaque na mídia.
O Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e o Ministério Público Especializado Anticorrupção (SAPO) informaram que se trata de “uma operação especial para desmantelar uma organização criminosa que operava sob a liderança de deputados atuais e antigos, com a participação de altos funcionários do Gabinete do Presidente da Ucrânia e de outras pessoas”.
No âmbito da operação “Forrest Gump” — nome que faz alusão às gravações de escutas telefônicas realizadas com alguns dos suspeitos —, foram realizadas buscas nas instalações da vice-chefe do gabinete de Zelenski, Irina Mudra, que já foi destituída.
Entre os deputados citados, alguns meios de comunicação ucranianos mencionam Vadim Stolar, magnata do setor imobiliário, do grupo parlamentar “Restauração da Ucrânia”, formado por ex-membros do partido proibido “Plataforma pela Vida”, bem como funcionários do Ministério da Justiça e representantes do setor bancário.
A investigação aponta que este caso está diretamente relacionado à operação “Midas” , uma vez que teria sido organizada também para lavar e pagar a fiança de 150 milhões de grivnas (2,8 milhões de euros) do ex-ministro da Energia, Herman Halushchenko, por meio do banco estatal Sense Bank e de empresas de fachada.
À frente dessa trama criminosa está Timur Mindich, foragido e coproprietário da Kvartal 95, a produtora fundada junto com o presidente Zelenski, quando ele ainda era comediante, antes de ingressar na política. Tudo veio à tona em um momento em que Kiev tentava convencer seus parceiros de que está combatendo a corrupção, após vários casos ocorridos no âmbito do Ministério da Defesa.
Mindich atuava como principal responsável por uma rede que cobrava propinas no valor de 90 milhões de euros dos contratados da Energoatom, a operadora estatal das usinas nucleares do país, para proteger e reforçar a segurança das instalações em meio aos ataques russos.
Várias pessoas do círculo mais próximo de Zelenski foram apontadas por esses fatos, entre elas seu ex-chefe de gabinete influente, Andri Yermak, que, após passar apenas quatro dias na prisão no mês de maio, foi libertado após pagar uma fiança de 140 milhões de grivnas (2,7 milhões de euros).
Yermak foi detido no âmbito da operação “Dinastia”, uma ramificação do caso “Midas”, sob suspeita de fazer parte de um grupo organizado para lavagem de dinheiro de até 8,9 milhões de euros provenientes desses subornos no setor energético, por meio da construção de residências de luxo nos arredores de Kiev.
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