Publicado 30/05/2026 07:34

O Ministério Público boliviano revoga os mandados de prisão contra dois líderes dos protestos, com o diálogo em suspenso

ARQUIVADO - 22 de maio de 2026, Bolívia, La Paz: FOTO DE ARQUIVO - Manifestantes fogem do gás lacrimogêneo lançado pela polícia boliviana, enquanto grupos de trabalhadores, mineiros, cidadãos e agricultores se manifestam em La Paz, exigindo a renúncia do
Radoslaw Czajkowski/dpa

MADRID 30 maio (EUROPA PRESS) -

O Ministério Público de La Paz (Bolívia) anulou os mandados de prisão que pesavam sobre dois líderes dos protestos que há semanas vêm pressionando o presidente do país, Rodrigo Paz, sem que haja, por enquanto, perspectivas de diálogo.

A anulação dos mandados de prisão contra o secretário executivo da Central Obrera Boliviana (COB), Mario Argollo, e o líder da Federação de Camponeses Túpac Katari, Vicente Salazar, era uma condição inegociável para o retorno à mesa de negociações, conforme admitiu na última sexta-feira o vice-presidente do país, Edmand Lara, e conforme noticiado pelo meio de comunicação UNITEL.

Depois que setores da COB anunciaram nesta sexta-feira que não tinham a menor intenção de sentar-se para dialogar (e, além disso, convocaram a intensificação dos bloqueios atuais), Argollo, em um vídeo divulgado nas redes sociais, deixou a cargo da base sua participação nas conversas.

“Eu não vou trair nossa base, o povo mobilizado. Qualquer convocação para o diálogo, de onde quer que venha, deve ser decidida pela base, e é a base que deve decidir se comparecerá ou não a qualquer convocação”, afirmou.

Em um esforço para resolver a crise, Paz anunciou na segunda-feira que reduzirá pela metade seu salário, bem como o dos membros de seu gabinete, em meio à onda de bloqueios de estradas, resultado das mobilizações de indígenas, camponeses e sindicalistas que pediram sua renúncia devido à crise econômica — protestos que já deixaram quatro mortos e mais de uma centena de detidos.

As mobilizações, que já completam quatro semanas, dificultaram o abastecimento de alimentos, combustível e suprimentos médicos para La Paz e a cidade vizinha de El Alto. Uma situação que o Executivo tenta contornar por meio da abertura de canais de negociação com os setores mobilizados, enquanto as forças de segurança continuam agindo para desobstruir algumas vias, recorrendo, em determinados casos, ao uso de gás lacrimogêneo.

O Executivo negou que as recentes mudanças em seu seio, diante do descontentamento popular, respondam a uma crise interna e defendeu que se trata de uma reorganização pontual decidida pelo presidente.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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