Publicado 03/09/2026 08:06

O Ministério do Interior divulga o comunicado do CENIF sobre o “aumento gradual” das entradas a nado em Ceuta: “É uma tendência inci

Dezenas de migrantes caminham pela praia do Trampolín, em 31 de agosto de 2026, em Ceuta (Espanha). A praia do Trampolín volta a abrigar um grande número de barracos improvisados, apesar da transferência anterior dos migrantes para outros locais habilitad
Marcos Moreno - Europa Press

A Polícia mencionou mensagens que faziam alusão à decisão da Suprema Corte e à colaboração dos agentes de fronteira, mas com “alcance limitado”

MADRID, 3 set. (EUROPA PRESS) -

O Ministério do Interior divulgou nesta quinta-feira, após a intervenção inicial do presidente do Governo, Pedro Sánchez, no Congresso, a nota informativa que o Centro Nacional de Inteligência e Fronteiras (CENIF) da Polícia Nacional divulgou em 28 de julho, dois dias antes da crise em Ceuta, alertando sobre um “aumento gradual” das entradas a nado, embora precisando que se tratava de uma “tendência em fase incipiente”.

Na nota informativa, consultada pela Europa Press, a unidade de inteligência da Comissária Geral de Estrangeiros e Fronteiras avaliava o impacto da decisão do Supremo Tribunal que impedia a repatriação de migrantes que entrassem a nado: “Atualmente, não constituem uma tendência relevante nas redes sociais; não se observa um aumento significativo das interações relacionadas a esse assunto”, destacava o documento.

O relatório do CENIF, elaborado a partir de fontes abertas e para “divulgação interna” entre canais policiais, indicava que as ferramentas de análise de tendências nas redes sociais “ainda não refletem um aumento estatisticamente significativo”, embora acrescentasse que “os indícios observados poderiam constituir um sinal precoce de uma mudança de comportamento que convém continuar monitorando”.

“Foram identificados alguns perfis que mencionam a sentença ou uma suposta mudança na atuação dos agentes de fronteira espanhóis, chegando até a incentivar novas tentativas em massa de atravessar a fronteira. No entanto, essas publicações apresentam, por enquanto, um alcance limitado”, continuava o relatório.

Em sua intervenção no Congresso, o chefe do Executivo se referiu a essa nota informativa para reiterar que nenhum serviço de inteligência alertou, nos dias anteriores, sobre a magnitude da entrada em massa que Ceuta acabou registrando a partir de 30 de julho, com 72 mil pessoas acessando a cidade autônoma, coincidindo com a festa no Marrocos pelo Dia do Trono.

Além disso, Sánchez exigiu saber por que o CENIF não alertou o Ministério do Interior sobre outro relatório elaborado por essa mesma unidade de inteligência, solicitado pela juíza da Audiencia Nacional María Tardón, e que aponta para a participação da gendarmeria marroquina no encaminhamento de migrantes, quando se trata de algo que afeta a segurança nacional. “Isso terá que ser explicado”, afirmou ele.

“NÃO ESTÁ COMPROVADO”

O relatório mencionava a possível utilização das organizações criminosas citadas na decisão do Supremo. “As redes de facilitação da imigração irregular costumam adaptar suas rotas, métodos e mensagens às mudanças normativas e operacionais. Consequentemente, uma adaptação a essa decisão é plausível, embora atualmente não esteja comprovada”, sustentava.

Nesse contexto, quanto à possibilidade de pular a cerca, o CENIF afirmou que não havia indicadores de inteligência “nem um aumento significativo de interações” que apontassem para essa possibilidade, anunciando que manteria o monitoramento ativo dos grupos de mensagens detectados.

“A modalidade de maior risco” para o CENIF eram as entradas a nado. “São detectados sinais precoces nas redes sociais (venda de roupas de neoprene/nadadeiras e relatos de experiências), somados a convocatórias isoladas em grupos de mensagens que aludem à permissividade do Dia do Trono e à presença de neblina”, indicava.

De fato, o documento policial incluía gráficos e fotografias de migrantes com roupas de neoprene capturadas nas redes sociais, bem como mensagens incentivando a travessia a nado, por exemplo, fazendo alusão à “Haraga Ceuta e Melilla”, que o CENIF lembra ser o termo amplamente utilizado entre a comunidade de migrantes irregulares para “queimar as fronteiras”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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