Publicado 07/04/2026 07:44

O Ministério da Saúde indenizará a família de uma paciente que morreu de pancreatite após passar 36 horas no pronto-socorro de um ho

Archivo - Arquivo - Hospital Geral de Valência
GVA - Arquivo

VALÊNCIA 7 abr. (EUROPA PRESS) -

A seguradora da Secretaria de Saúde e o Consórcio Hospitalar Geral Universitário de Valência indenizarão em 225.000 euros a família de uma paciente de 69 anos que faleceu devido a uma pancreatite aguda após passar 36 horas no pronto-socorro do hospital sem ser atendida.

Foi o que informou em um comunicado a associação O Defensor do Paciente, cujos advogados Ica Aznar e Juan Carlos Montealegre chegaram a um acordo pelo qual o seguro da Saúde e o do Consórcio indenizarão com esse valor a família da falecida, que permaneceu em uma sala de espera por leito desde as 00h12 do dia de sua admissão até as 07h32 do dia seguinte, quando foi registrado seu óbito.

Segundo a entidade, nesse período “não há registro de constantes vitais, nem exames laboratoriais, nem qualquer outro exame além do realizado na admissão no hospital”. O acordo foi alcançado no âmbito de um processo administrativo, após a interposição da ação de indenização contra a saúde pública, na qual se solicitava a condenação à indenização da família da paciente falecida “pelos danos e prejuízos sofridos em decorrência da negligência médica cometida”.

Os fatos remontam a 7 de maio de 2025, quando a paciente procurou o serviço de Emergência do Consórcio Hospitalar Geral Universitário de Valência devido a dor abdominal, vômitos com evolução de várias horas e sensação de inchaço abdominal. Ao chegar ao pronto-socorro, foi submetida a um exame clínico e a diversos exames médicos, entre eles uma ultrassonografia abdominal, cujos resultados indicaram vesícula ligeiramente distendida com litíase, de paredes finas e sem dilatação das vias biliares, conforme descreve a associação.

Posteriormente, foi contactada a cirurgia geral e digestiva para avaliação, tendo sido diagnosticada pancreatite aguda biliar, pelo que se procedeu à sua internação imediata. Conforme consta nos relatórios médicos, não havia leitos de internação nem salas de tratamento disponíveis para transferir a paciente, pelo que ela permaneceu na sala de atendimento de emergência à espera de tratamento.

Lá ela ficou “36 horas à espera de que alguém a atendesse”, mas “acabou falecendo sozinha enquanto esperava na sala de emergência, sem que nenhum médico ou profissional de saúde de qualquer tipo percebesse”. Quando perceberam o falecimento, “já era tarde, e não foi possível fazer nada para reanimar a paciente e evitar sua morte”, acrescenta a entidade.

A associação destaca que a pancreatite aguda “pode se apresentar em formas leves, que representam a maioria dos casos e têm uma evolução favorável com baixa mortalidade, ou em formas graves, que envolvem inflamação extensa, necrose pancreática e falência múltipla de órgãos, com uma mortalidade que pode ultrapassar 30%”.

A pancreatite grave requer “vigilância rigorosa e tratamento intensivo, uma vez que sua rápida evolução pode colocar em risco a vida do paciente. Por isso, é fundamental utilizar escalas prognósticas e monitorar continuamente o paciente para detectar a tempo sinais de gravidade e melhorar o prognóstico".

No entanto, "nada disso foi realizado pela equipe de saúde do Consórcio Hospital Geral Universitário de Valência, o que resultou na morte desnecessária de uma paciente, abandonada na sala de emergência". A entidade ressalta que a paciente tinha “grandes esperanças e expectativas de cura”, mas “diante da inércia e passividade da equipe médico-sanitária, foi privada da possibilidade de um tratamento médico que remediasse e pusesse fim à pancreatite aguda, o que levou irremediavelmente à sua morte prematura”.

"MÍNIMO DE ATENÇÃO"

A associação entende que essas condutas médicas "são facilmente evitáveis, pois se trata de prestar um mínimo de atenção ao estado dos pacientes que se encontram dentro das instalações do hospital".

"Não é de forma alguma aceitável que a paciente tenha permanecido um dia e meio em uma sala do pronto-socorro sem que nenhum médico, enfermeiro ou profissional de saúde de qualquer tipo sequer se aproximasse dela", concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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