GIJÓN 18 jun. (EUROPA PRESS) -
A Secretaria de Estado da Memória Democrática declarou a Mina de La Camocha, no município de Gijón (Astúrias), como Local de Memória Democrática, em reconhecimento à sua importância histórica na luta operária durante a ditadura de Franco e ao seu papel na origem do movimento CCOO.
A resolução, datada de 12 de junho de 2026 e publicada nesta quinta-feira no BOE, encerra um processo iniciado em 19 de junho de 2025 pela Direção-Geral de Promoção da Memória Democrática, e é adotada em conformidade com o disposto na Lei 20/2022 de Memória Democrática e na normativa de procedimento administrativo comum.
O texto destaca que a mina de Gijón foi um importante centro de mobilização operária em um contexto de supressão dos direitos fundamentais após a Guerra Civil, com a ilegalização dos sindicatos e a implantação do Sindicato Vertical. Nesse cenário, os trabalhadores de La Camocha protagonizaram algumas das primeiras experiências organizadas à margem das estruturas oficiais.
Destaca-se, em particular, a greve de janeiro de 1957, com duração de nove dias, na qual uma comissão de trabalhadores conseguiu se impor como interlocutora válida perante o Sindicato Vertical, obtendo melhorias nas condições de trabalho. Essa experiência é considerada a semente fundadora das Comissões Operárias, ao articular reivindicações coletivas e estratégias de negociação sustentadas.
Da mesma forma, a resolução destaca o papel central da mina nas grandes mobilizações de 1962, com ampla participação de seus cerca de 1.600 trabalhadores, bem como na consolidação do movimento operário asturiano durante a década de 1960, apesar da repressão, das prisões e da ilegalização das organizações sindicais.
O reconhecimento também se refere à greve de 1977, já durante a Transição, que permitiu acabar com o Sindicato Vertical nesse local, consolidando a CCOO e a UGT como representantes dos trabalhadores.
À luz desses fatos, o Ministério considera que La Camocha atende aos requisitos estabelecidos no artigo 49 da Lei da Memória Democrática, por se tratar de um espaço ligado à luta pelos direitos e liberdades e à resistência contra a ditadura, com forte significado na memória coletiva.
A declaração cabe à Secretaria de Estado da Memória Democrática, por proposta da Direção-Geral competente, nos termos do disposto no artigo 50.4 da referida lei.
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