Publicado 21/05/2026 00:34

Milhares de pessoas se manifestam no Uruguai em prol da memória, da verdade e da justiça para os desaparecidos durante a ditadura

Marcha do Silêncio realizada neste dia 20 de maio em Montevidéu (Uruguai)
PRESIDENCIA DE URUGUAY

Manifestantes pedem ao presidente do país, Yamandú Orsi, que ordene às Forças Armadas que forneçam as informações de que dispõem

MADRID, 21 maio (EUROPA PRESS) -

Milhares de pessoas se reuniram nesta quarta-feira nas ruas do centro de Montevidéu por ocasião da Marcha do Silêncio, que acontece todos os dias 20 de maio na capital uruguaia com o objetivo de reivindicar memória, verdade e justiça na busca pelos desaparecidos durante a ditadura cívico-militar que assolou o país entre 1973 e 1985.

A marcha ocorreu sob o lema “30 anos marchando. Contra a impunidade de ontem e de hoje. Exigimos respostas: Onde estão?”, seguindo um percurso que teve início no Memorial aos Detidos Desaparecidos na América Latina e terminou na Praça da Liberdade. Tudo isso em meio a um silêncio sepulcral, interrompido pela leitura dos nomes das 205 pessoas detidas e desaparecidas, na esplanada da Prefeitura de Montevidéu, a cada um dos quais os participantes responderam em uníssono com um contundente “presente”.

“É uma emoção muito grande porque é o ponto alto de uma nova marcha, de um novo esforço de muitos companheiros e companheiras”, declarou Ignacio Erradonea à emissora TV Ciudad, como membro da organização Mães e Familiares de Uruguaios Detidos e Desaparecidos, destacando em seguida que essa mobilização se tornou algo “massivo”, reconhecendo que “vale a pena continuar lutando” para “encontrar todos”.

Além disso, Erradonea respondeu às declarações feitas pelo comandante-chefe do Exército do país, Mario Stevenazzi, nas quais ele afirmou que o órgão militar “não esconde nada” e que já entregou “todas as informações disponíveis”. Sobre essas declarações, o membro da organização criticou “ter que ouvir” uma pessoa de tal patente dizer “que não tem nada a acrescentar” quando, condenou ele, “ficou calado quando ocorreram descobertas no Batalhão 14” e “mentiram a vida toda”.

“Até quando teremos de continuar suportando que um comandante-chefe se faça de vítima, declarando ‘que eu já contribui com tudo’ e que se sintam agredidos quando os agressores são eles mesmos, pois quem fez desaparecer os familiares foram as Forças Armadas?”, questionou, ressaltando que são elas que têm de “devolver” aos familiares os corpos das vítimas.

Nesse sentido, Erradonea questionou que se permita a um comandante-chefe fazer declarações desse calibre “eludindo toda a responsabilidade que cabe às Forças Armadas”, ao mesmo tempo em que alertou para a “falta de definição” de um governo que, em sua opinião, “não exerce a autoridade de exigir uma resposta”.

Suas palavras estão em sintonia com as de Alba González Souza, mãe de Rafael Lezama, desaparecido em 1º de outubro de 1976. Ela lembrou dias antes, em uma coletiva de imprensa, que já são três décadas de marchas nesta data e “mais de 50” reclamando que “a impunidade continua presente” no país do Rio da Prata.

Por isso, nessa mesma manifestação, a organização Mães e Familiares de Uruguaios Detidos e Desaparecidos exigiu uma “política integral de busca” por parte do Executivo central, liderado por Yamandú Orsi, e que “a ordem (presidencial) às Forças Armadas” não sofra “mais adiamentos”.

Sobre o assunto, também se pronunciou Elena Zaffaroni, outra integrante da mesma organização, em entrevista ao noticiário uruguaio Subrayado, onde acusou a falta de compromisso por parte dos diferentes governos que se sucederam no país.

“Nenhum disse sim”, enfatizou Zaffaroni em relação ao ato de dar a ordem presidencial às Forças Armadas para que entreguem todas as informações de que dispõem sobre os desaparecidos durante a ditadura.

Por sua vez, o próprio Orsi publicou nas redes sociais uma mensagem na qual afirma que “50 anos depois” os uruguaios continuam “buscando mais respostas, porque não se trata apenas de memória”. “A vida continua se abrindo, ano após ano e em silêncio, em um abraço gigantesco”, acrescenta a publicação.

Da mesma forma, escrevendo a frase “a memória é raiz, é o que nos sustenta”, o presidente compartilhou um vídeo gerado com material de arquivo e produzido com Inteligência Artificial, no qual se relembra os assassinatos, em 20 de maio, de Zelmar Michelini, Héctor Gutiérrez Ruiz, Rosario Barredo e William Whitelaw, no âmbito da coordenação das ditaduras do Cone Sul na América, no ano de 1976.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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