Europa Press/Contacto/Roberto Tuero
MADRID, 7 ago. (EUROPA PRESS) -
Sob o lema “A pátria não se vende”, milhares de argentinos desafiaram a chuva nesta quinta-feira na cidade de Buenos Aires para protestar contra o projeto de lei sobre a “inviolabilidade da propriedade privada”, que foi debatido nesta mesma tarde no Senado.
Reunidos espontaneamente e organizados em grupos políticos, sindicais, de bairro, profissionais ou estudantis, bem como em movimentos sociais, os manifestantes se reuniram em frente aos portões do Congresso Nacional contra a proposta do governo até que, finalmente, agentes das forças de segurança dispersaram os manifestantes usando gás lacrimogêneo e caminhões de água.
CONTRA UM GOVERNO “CAPITULADOR”
Embora a manifestação tenha sido convocada antes de o Executivo central tomar, na véspera, a decisão de retirar do projeto em debate o capítulo que reduziria o limite máximo para a venda de terrenos a capital estrangeiro, os manifestantes compareceram mesmo assim à sede do Congresso com o objetivo de demonstrar sua oposição à iniciativa.
Entre eles estava, cercado por faixas com frases como “não se vende, não se queima, não se despeja”, Mateo S., que compareceu ao protesto por iniciativa própria, defendendo a importância de manter limites à venda de terras a estrangeiros, especialmente em um contexto em que, lamentou ele, o país tem à frente um presidente, Javier Milei, de clara tendência “capituladora”, especialmente no que diz respeito a recursos naturais e terras raras.
“O fato de um investidor estrangeiro, cujos interesses podem não coincidir com os do povo argentino em geral, decidir sobre territórios que são patrimônio dos argentinos é um ataque indireto à soberania”, afirmou Mateo em declarações à Europa Press.
De acordo com a legislação vigente, os particulares estrangeiros — sejam pessoas físicas ou jurídicas — não podem deter mais de 15% das terras rurais em nível nacional, provincial ou municipal, nem comprar mais de 1.000 hectares na zona agrícola central. No entanto, o polêmico capítulo propunha a eliminação desse limite.
Diante dessa situação, o governo argentino optou inicialmente por ampliar para 25% a porcentagem da superfície nacional, provincial e departamental que pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras podem adquirir de terras produtivas, conforme relatado pela mídia argentina, como o jornal “La Nación”. No entanto, diante da visível falta de apoio, o Executivo optou, nesta quarta-feira, por retirar, finalmente, o capítulo em questão.
PELO MENOS DOZE DETIDOS DURANTE OS PROTESTOS
As forças federais informaram a detenção de três manifestantes, bem como de três policiais feridos, dois deles em estado grave, pertencentes à Gendarmeria, que teriam sido atingidos por pedradas na cabeça e, por isso, foram levados ao Hospital Churruca, segundo informa o jornal “La Nación”. Por sua vez, a Polícia da Cidade informou sobre nove detidos por “agressão e resistência à autoridade”, o que eleva o número total de detidos para doze.
Foi entre 17h e 18h (hora local) que as forças de segurança utilizaram gás lacrimogêneo, caminhões-hidrantes e balas de borracha para dispersar os manifestantes da praça.
Sobre a atuação policial, o chefe de governo da cidade de Buenos Aires, Jorge Macri, se pronunciou, ressaltando que a ordem da Polícia era “clara”, ou seja, “fazer cumprir a lei e defender a cidade dos violentos que pretendem destruí-la”.
“Queimaram lixeiras, quebraram calçadas, destruíram viaturas e atacaram a polícia”, afirmou Macri, para, em seguida, classificar como “criminosos anarquistas” aqueles que “perturbam a ordem de forma violenta e agridem a polícia”. “Eles são inimigos do nosso modo de vida”, retrucou.
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