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O presidente argentino nega que haja 44.000 vítimas e afirma que a probabilidade de haver argentinos "é muito remota".
MADRID, 18 fev. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Argentina, Javier Milei, tentou se desvincular nesta segunda-feira do escndalo das criptomoedas fraudulentas, depois que no fim de semana convidou em suas redes sociais a investir no token (ficha ou moeda digital) '$LIBRA', que na realidade era uma moeda meme e no tinha o respaldo da economia real.
"Eu no a promovi, apenas a espalhei", disse ele, observando que aqueles que "participaram" o fizeram "voluntariamente". "Se voc vai a um cassino e perde dinheiro, qual é a vantagem?", questionou ele em uma entrevista ao canal de televiso argentino TodoNoticias.
Nesse sentido, ele acrescentou que "por querer ajudar um argentino" recebeu "um tapa na cara". "É um problema entre particulares, porque o Estado no desempenha nenhum papel aqui, que isso fique claro", disse o inquilino da Casa Rosada pela primeira vez desde a polmica publicao que fez quatro horas antes do colapso da moeda virtual.
Milei incentivou seus seguidores do X e do Instagram a investir em '$LIBRA' com um link para um projeto que supostamente apoiaria PMEs na Argentina. "O tweet está nesse formato, onde explico que estou divulgando que isso é para financiar argentinos que esto fazendo projetos e no tm acesso a financiamento", explicou.
Quando lhe perguntaram se ele se arrependeu e por isso apagou a publicao, ele disse que "muitas coisas acontecem no meio do caminho", pois algumas pessoas comearam a dizer que sua conta havia sido hackeada. "O que é falso, no tenho nada a esconder, no fiz nada de errado (...) No vou me esconder atrás dessa desculpa. É claro que eu publiquei o tweet. Foi por isso que eu o publiquei", disse ele.
No entanto, diante da onda de "comentários negativos" e "na dúvida", ele decidiu excluir o tuíte, embora "nunca exclua" publicaes. "Naquele contexto, quando o barulho estava sendo gerado, diante da dúvida, eu disse: 'Estou indo embora, tenho que correr'", disse ele sobre os motivos pelos quais decidiu excluí-lo.
Com relao s pessoas que foram prejudicadas pela compra da criptomoeda, ele garantiu que é "falso" que haja 44.000 vítimas: "A primeira coisa a entender é que havia muitos bots (...) Na melhor das hipóteses, há 5.000 pessoas", disse ele, afirmando que a probabilidade "de que haja argentinos é muito, muito remota".
"Os argentinos, eu diria que no creio que sejam mais de cinco. A maioria deles so americanos e chineses", disse ele. Por sua vez, ele garantiu que "so pessoas altamente especializadas nesses elementos" e que, "dadas as dificuldades envolvidas na participao nesse evento, era preciso ter muito conhecimento". "No se trata de uma questo menor", concluiu.
O principal grupo parlamentar de oposio da Argentina, Unión por la Patria (UxP), anunciou no dia anterior que apresentaria um pedido de processo de impeachment contra o presidente, a quem responsabilizou pela fraude, denunciando sua "enorme gravidade" e que se tratava de um "escndalo sem precedentes".
Até o momento, houve pouca reao do governo e dos partidos que apóiam Milei, com exceo da ministra da Segurana, Patricia Bullrich, que inverteu a situao para apresentar Milei como vítima, alegando que o "Cryptogate" é uma manobra para "tentar derrubar o presidente".
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