Publicado 03/02/2026 02:50

Milei mantém o novo modelo do IPC apesar da revelação do Banco Central sobre sua manipulação

28 de janeiro de 2026, Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina: O presidente da Argentina, Javier Milei, deixa o Museu do Holocausto após participar da cerimônia em memória do Holocausto.
Europa Press/Contacto/Delfina Corbera Pi

O diretor do órgão estatístico renuncia após revelar que adiou a aplicação do novo indicador, cujos dados de inflação teriam sido mais elevados, para evitar que isso afetasse as eleições MADRID 3 fev. (EUROPA PRESS) -

O governo da Argentina decidiu, por “instrução” de seu presidente, Javier Milei, manter o novo modelo do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), depois que o Banco Central confirmou nesta segunda-feira a manipulação do indicador de inflação, o que levou o diretor do órgão nacional de Estatística, Marco Lavagna, a apresentar sua renúncia.

Isso foi reconhecido pelo chefe de gabinete e porta-voz do Executivo, Manuel Adorni, em entrevista concedida ao canal La Nación, na qual alegou uma questão de “transparência estatística”. “Não queremos que o kirchnerismo use (...) que estamos falsificando os dados da inflação. Nós respeitamos os dados. A única maneira de mostrar às pessoas se o índice de inflação melhora, piora ou permanece igual é ter dados comparáveis, e você os tem quando não muda a metodologia”, afirmou.

Nos mesmos termos se manifestou o ministro da Economia, Luis Caputo, ao confirmar que o Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (INDEC) continuará usando o atual IPC. “Não há necessidade de mudar o índice agora. Não faz diferença, é praticamente a mesma coisa (...) Vamos mantê-lo até que o processo de deflação esteja consolidado. Não há data para a mudança”, afirmou em declarações à Rádio Rivadavia. Suas palavras vêm depois que o Banco Central da República Argentina (BCRA) reconheceu que, aplicando o novo modelo de IP — que estava pronto para ser implementado há meses, mas Lavagna teria adiado para evitar que afetasse as recentes eleições —, a inflação teria sido mais alta nos últimos dois anos.

A questão veio à tona a partir do Relatório de Política Monetária, publicado pelo BCRA na última sexta-feira, no qual se admite abertamente que a aplicação do novo IPC teria provocado um aumento nos dados de inflação devido ao aumento dos preços dos serviços públicos, aluguéis e gastos. Ele também foi criticado por minimizar os dados sobre a pobreza.

Sobre a renúncia de Lavagna — comunicada oito dias antes da publicação do novo IPC, prevista para 10 de fevereiro —, Adorni minimizou a importância, alegando que ele “quis aplicar a metodologia agora e não viu em sua tarefa a possibilidade de não fazê-lo e se foi”. “Inúmeros funcionários do governo se foram porque talvez não concordassem com isso ou aquilo. É saudável que seja assim. Seria muito hipócrita permanecer no cargo pensando que está fazendo algo contra o que acredita”, afirmou. Economista de formação, Lavagna assumiu a direção do INDEC em 30 de dezembro de 2019, durante o mandato do presidente Alberto Fernández, mas manteve o cargo após a chegada do presidente Javier Milei ao poder. Ele será substituído por seu “número dois”, Pedro Lines, conforme confirmado pelo ministro da Economia ao jornal Clarín.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado