Matias Chiofalo - Europa Press
MADRID, 26 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Argentina, Javier Milei, dedicou nesta sexta-feira, em Madri, seu discurso de recepção da Medalha de Honra da Universidade CEU San Pablo a apresentar um modelo de bom comportamento político no qual não há espaço para aqueles que têm “mãos porosas, de quem escapam 24 milhões por algum lado ou um milhão e meio em joias” ou que estão envolvidos em “vazamentos envolvendo a esposa”, em referência aos casos de corrupção que cercam o PSOE e ao caso de Begoña Gómez, esposa do presidente do Governo, Pedro Sánchez.
Milei dedicou uma hora de discurso para expor os princípios fundamentais de seu próximo livro, “A moral como política de Estado”, um tratado ético, jurídico e econômico baseado nos “valores judaico-cristãos”, no anarcocapitalismo que defende, e à desregulamentação e à eficiência econômica.
Sobre esse último aspecto, Milei aproveitou para denunciar a União Europeia como exemplo de um sistema aparentemente concebido para “matar o crescimento econômico” à força de regulamentações. “A Europa não consegue crescer porque está sobrecarregada de regulamentações; desculpem-me por dizer isso de forma tão contundente”, afirmou o presidente argentino antes de reivindicar, como também faria na parte final de seu discurso, um trabalho de transformação da economia argentina.
“Venho de um país que está repleto de regulamentações. Eliminamos 16.000 regulamentações em dois anos”, declarou Milei, que, ao longo de seu discurso, relacionou constantemente moral, economia e política como fundamentos-chave de seu processo de tomada de decisões ou “a cadeira elétrica”, como descreveu seu cargo.
“Quando falamos de valores éticos e morais, não há espaço para o relativismo. Nem tudo vale. E se alguém não estiver disposto a pedir perdão, que perca com toda a justiça”, declarou o presidente argentino em um discurso repleto de referências ao pensamento e à mitologia gregos, bem como ao livro sagrado judaico, a Torá, e ao direito natural como fonte da qual emana toda a razão.
Para explicar seu argumento, Milei citou como exemplo negativo “um político que, digamos, não tivesse as mãos porosas ou muito porosas, de quem escapam 24 milhões por algum lado ou um milhão e meio em joias, devido aos desvios da esposa”, afirmou o presidente da Argentina antes de mudar de assunto e garantir que se limitara a fazer uma “elucubração teórica”.
“Sempre que vocês forem contra a vida, a liberdade e a propriedade, e ainda por cima por meio do Estado, isso inexoravelmente vai acabar mal”, indicou Milei, que também dedicou parte de seu discurso a demonizar o marxismo e o pensamento de esquerda.
“Karl Marx é Satanás, tem escritos satânicos e, por isso, vocês vão perceber que os terroristas estão alinhados com a esquerda, pois têm um inimigo comum: o capitalismo de livre iniciativa, baseado nos valores judaico-cristãos”, afirmou Milei antes de defender Israel como “bastião do Ocidente”.
“AINDA HÁ MUITO A SER FEITO” NA ARGENTINA
Por fim, Milei defendeu seu trabalho à frente da Argentina, cercado como tem estado por “uma boa equipe e pessoas muito talentosas” para impedir a eclosão da hiperinflação e sem recorrer, em nenhum momento, às expropriações “imorais”.
“Como eu poderia iniciar um processo de estabilização baseado em uma expropriação? Seria algo incoerente”, indicou o presidente argentino antes de garantir que suas políticas estão efetivamente reduzindo o nível de pobreza no país, embora ainda “haja muito a fazer”, apesar de seus proclamados sucessos.
“Não só não caímos em uma grande depressão, como estamos com um aumento de 11% no PIB, ou seja, quintuplicamos o crescimento e tiramos 30% dos argentinos da pobreza (14 milhões de pessoas). Estamos tornando a Argentina grande novamente”, concluiu Milei antes de encerrar seu discurso com seu lema tradicional: “Viva a liberdade, caramba”.
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