PRESIDENCIA DE ARGENTINA - Arquivo
MADRID 2 set. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Argentina, Javier Milei, acusou nesta terça-feira um "grupo de jornalistas" de fazer parte de uma "rede de espionagem ilegal", depois que veio à tona um novo áudio de sua irmã Karina, no contexto do esquema de corrupção em que ela estaria envolvida na Agência Nacional de Deficiência (Andis).
"Esses espiões disfarçados de 'jornalistas' querem desviar a atenção do problema real. Eles não estão acima da lei. Eles pensam que estão impunes e não estão", enfatizou o presidente argentino em uma mensagem publicada nas redes sociais, na qual ele não especificou os nomes dos supostos envolvidos na trama.
Suas palavras foram proferidas depois que um novo áudio veio à tona no canal de streaming uruguaio Dopamina, supostamente gravado dentro do Congresso, no qual o presidente da Câmara dos Deputados, Martín Menem, é citado, e ele garantiu que essas manobras fazem parte de uma "tentativa deliberada de desestabilização" antes das eleições.
"O trem fantasma não pode suportar que um governo eleito por mandato popular avance contra seus privilégios, e por isso recorre a operações ilegais de inteligência e campanhas de difamação", disse ele nas redes sociais, acrescentando que o áudio foi gravado ilegalmente na Câmara dos Deputados.
A ministra da Segurança Nacional, Patricia Bullrich, anunciou que o governo ampliará a denúncia depois que um juiz federal argentino decretou, no dia anterior, a proibição da divulgação das gravações vinculadas a Karina Milei na Casa de Governo.
Entre os supostos responsáveis pela divulgação dos áudios identificados pelo governo argentino estão o jornalista Mauro Federico, o empresário Pablo Toviggino, o apresentador Jorge Rial e o advogado Franco Bindi, descrito como um operador judicial ligado ao ex-diretor da Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE) Fernando Pocino.
Na gravação divulgada na sexta-feira pelo meio de comunicação Carnaval Stream, Karina Milei pede unidade no período que antecede as eleições internas do partido governista, La Libertad Avanza. Esse é o mesmo meio de comunicação que publicou as gravações vazadas que revelaram suborno na Agência Nacional de Deficiência por meio da empresa de marketing de medicamentos Suizo Argentina, e que forçou a demissão de seu diretor executivo, Diego Spagnuolo.
O conteúdo desses áudios recentemente vazados, categoricamente negados pela Casa Rosada, sugere que esses subornos eram para Karina Milei e seu braço direito, Eduardo Lule Menem. Atualmente, há duas queixas apresentadas no contexto da trama das fitas de áudio: uma civil, que impede a transmissão das gravações, e outra criminal, que está sendo tratada pelo juiz Julián Ercolini.
Em sua denúncia, o Ministério da Segurança Nacional teria solicitado uma busca nas residências dos jornalistas mencionados, do advogado Franco Bindi, sócio da deputada Marcela Pagano - supostamente responsável pela transmissão dos áudios - e do escritório da Carnaval Stream.
Em resposta, o advogado Gregorio Dalbón, que representou a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner, apresentou uma queixa contra o governo por suposto abuso de autoridade após solicitar as buscas.
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