Europa Press/Contacto/Silvana Safenreiter
MADRID 28 jun. (EUROPA PRESS) -
O chefe de gabinete argentino, Manuel Adorni, renunciou neste sábado após quatro meses de polêmica em torno do aumento de seu patrimônio desde que assumiu o cargo no governo do presidente da Argentina, Javier Milei, o que motivou uma investigação por enriquecimento ilícito.
O político argentino, em uma carta dirigida ao presidente Milei, atribuiu sua decisão aos “ataques intermináveis da mídia” e afirmou que deseja “encerrar este ciclo” para proteger a si mesmo e à sua família.
“Prezado presidente (...) Obrigado por, desta vez, ter aceitado minha renúncia ao cargo (...) As campanhas da mídia chegaram ao extremo, não apenas contra mim, mas contra minha esposa, meus filhos pequenos, meus amigos, minha família e até mesmo meus vizinhos e pessoas próximas”, lamentou ele em um comunicado em forma de carta publicado em suas redes sociais.
Dessa forma, o funcionário elogiou o presidente, dedicando um agradecimento especial à sua esposa, Karina Milei, e defendeu firmemente sua gestão, garantindo que não pesa sobre seus ombros nenhuma acusação de corrupção. Além disso, ele esclareceu que a decisão de deixar o cargo não foi motivada por um desejo do líder argentino de expulsá-lo.
“As mentiras que foram espalhadas foram das mais variadas: viagens que nunca aconteceram, gastos astronômicos e extravagantes, contratos inexistentes e falsos da minha esposa com o Estado ou com empresas públicas, mansões e carros de luxo, “fazendas de criptomoedas” operadas em conluio com a Guarda Presidencial, nepotismo, despesas pessoais pagas com recursos públicos, a existência de um suposto pen drive ‘cheio de dólares’, empresas no Uruguai, cirurgias plásticas de milhares de dólares e dezenas de outras falsidades”, lamentou.
Adorni não quis fazer autocrítica e concentrou sua mensagem na “esperança” que o líder ultraconservador representa e no “futuro” da Argentina.
“A crueldade tem um limite e eu descobri o meu. Demos tudo de nós, tanto no âmbito profissional quanto no familiar e espiritual. Talvez simplesmente aconteça que as pessoas comuns não tenham permissão para estar nesses lugares. Ou talvez sim: você é a única esperança para a Argentina”, declarou.
ÚLTIMAS HORAS DE ADORNI APÓS MESES DE POLÊMICA E INVESTIGAÇÃO
Adorni se manteve no cargo graças ao apoio presidencial de Milei nos últimos meses. De fato, na manhã de sexta-feira, durante sua visita à Espanha, o presidente garantiu que só destituiria seu chefe de Gabinete se a Justiça comprovasse sua culpa em atos de corrupção. No entanto, a situação teria se tornado definitiva nesta semana, com a secretária-geral, Karina Milei, atuando ativamente na Casa Rosada, o que teria consolidado a certeza de que Adorni estava com os dias contados, segundo o jornal “La Nación”.
O já ex-chefe de gabinete está sob investigação judicial por um suposto enriquecimento ilícito relacionado à compra de um apartamento e uma residência em Buenos Aires, imóveis que ele declarou recentemente, depois que o caso veio a público na mídia.
De fato, no último dia 10 de junho, Adorni admitiu ter ocultado meio milhão de dólares provenientes, segundo sua versão, de investimentos anteriores à sua chegada ao governo, motivo pelo qual solicitou se beneficiar da anistia fiscal promovida pelo próprio Executivo argentino.
A isso se soma uma investigação por suposto tráfico de influências ligada a contratos entre a televisão pública e a produtora de seu amigo, o empresário e jornalista Marcelo Grandio, bem como a adjudicações entre empresas estatais e a consultoria de sua esposa, Bettina Angeletti.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático