Publicado 12/06/2026 05:56

Migrantes, à espera do Papa em La Laguna: “Não viemos para tirar nada, viemos apenas para contribuir”

Um grupo de migrantes, aguardando a chegada do Papa a La Laguna
EUROPA PRESS

LA LAGUNA (TENERIFE), 12 (EUROPA PRESS)

Quase 3.000 pessoas aguardam a chegada do Papa Leão XIV à Praça do Cristo, em La Laguna, onde Robert Prevost se reunirá com migrantes e organizações de acolhimento, após visitar previamente o centro Las Raíces.

Um deles é Mbake, senegalês de 20 anos que chegou a El Hierro em setembro de 2024 e será o protagonista do evento com o Papa.

“Não viemos tirar nada, só viemos para contribuir”, afirmou aos jornalistas, visivelmente tranquilo e confiante de que dirá ao Papa que “não há divisão” e que “continue lembrando ao mundo que por trás de cada imigrante há um sonho, uma mãe que reza e uma pessoa que merece uma oportunidade”.

Ele relembrou que passou um “inferno” de nove dias no mar até chegarem remando a El Hierro, já que o cayuco ficou sem combustível.

Da “Ilha do Meridiano”, ele foi encaminhado para um centro de menores em Tenerife, mas, após os testes de identificação de idade, foi determinado que era maior de idade; por isso, conversou com seu primo, que já estava em Tenerife, e falou com o “Padre Pepe”, referência da Fundação Bom Samaritano.

Mbake admite que foi “muito complicado” se adaptar nos primeiros momentos porque “tudo é novo, é preciso aprender o idioma e tudo mais”, mas, graças à Fundação, ele vem encontrando seu lugar na ilha.

“Às vezes não entendo as pessoas porque dizem que viemos para roubar, para fazer algo, mas não é isso. Só queremos uma oportunidade para ajudar nossa família, que precisa de nós”, afirmou.

Nessa linha, ele comentou que estuda espanhol e que seu “sonho” é “ter uma vida estável” e ajudar sua família no Senegal, embora na ilha estejam seu irmão e um primo, que também chegaram por via marítima.

Além disso, ele anseia por voltar ao Senegal, já com um futuro garantido, para se reunir com seus pais.

Ele não esconde que não esperava ser escolhido para falar diante do Papa, mas é “uma honra”.

Yaya, senegalês de 22 anos, lembra como “muito difícil” sua viagem em uma embarcação precária até as Ilhas Canárias durante oito dias com outras 200 pessoas a bordo, embora valorize o fato de estar vivendo uma “nova vida” graças à ajuda de um tio seu, que se encarregou de custear a viagem — alguns pagam até 1.000 euros.

Ele lembra que a comida acabou antes de chegar às Ilhas Canárias e que o mar “estava muito agitado”, com água entrando na embarcação e risco de naufrágio.

UMA VISITA MUITO “EMOCIONANTE”

Ele não tem dúvidas de que a visita do Papa é muito “emocionante” e que ela coloca o foco no acolhimento dos migrantes, e alerta que, quando estava no Senegal, pensava que três meses após chegar já poderia trabalhar, mas, na verdade, precisa esperar dois anos para regularizar sua situação, e ainda faltam dois meses.

“Entendemos que na Europa há muito trabalho, que quando você chega vai trabalhar, mas quando chegamos não é assim, porque aqui, quando você chega, precisa primeiro ter seus documentos e só depois pode trabalhar”, destacou.

Yaya, que está cursando o ensino fundamental, reconhece que muitas pessoas morrem no mar, mas indica que “o futuro é mais importante do que isso” e confia que o Papa fale sobre os “boatos” que afetam a comunidade migrante.

“Nós não viemos aqui para roubar nenhum emprego. Às vezes falam mal de nós, mas não é assim, porque não viemos para roubar nenhum emprego; viemos apenas para melhorar nosso futuro e ajudar nossa família”, acrescentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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