EDUARDO PARRA - EUROPA PRESS
A presidente do Parlamento Europeu defende “pensar em grande” e deixar avançar primeiro aqueles que estão dispostos a fazê-lo MADRID 3 fev. (EUROPA PRESS) -
A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, confiou que a Espanha continuará apostando na Europa como fez há 40 anos, quando entrou nas então Comunidades Europeias, e alertou que a UE não pode permitir, em um contexto tão complexo como o atual, em que é necessária unidade, que os cidadãos se distanciem das instituições.
“Quando a Espanha escolheu a Europa em 1986, fê-lo num momento decisivo para a sua democracia”, salientou Metsola durante a sua intervenção no ato celebrado no Senado por ocasião do 40.º aniversário da adesão à UE, incidindo que “essa escolha trazia consigo esperança e confiança” e que, a partir daí, a Europa se tornou “algo tangível” que fazia parte da vida quotidiana dos espanhóis. “Quero que a Espanha continue escolhendo a Europa”, insistiu. Metsola centrou seu discurso, proferido no antigo Salão de Plenárias, na gravidade do momento atual e na necessidade de a UE conseguir continuar avançando unida, como tem feito ao longo de toda a sua história, sobretudo se não quiser que os cidadãos se distanciem de suas instituições e dos valores que elas representam.
“Agora vivemos num mundo novo, moldado pela guerra no nosso continente, pela instabilidade na nossa vizinhança, pela crescente concorrência mundial, pelo aumento dos desastres naturais e pela rápida evolução tecnológica”, enumerou, salientando que isto tem um impacto na vida dos cidadãos e nas suas decisões.
“Sabemos que a Europa só funciona quando as pessoas se sentem conectadas a ela, quando se reconhecem nas suas decisões e quando veem resultados reais nas suas vidas quotidianas”, afirmou a política maltesa, alertando que “quando a conexão enfraquece, as pessoas começam a afastar-se”. E, francamente, disse ela, “isso é algo que a Europa não pode permitir-se”.
Nesse sentido, ela se referiu ao recente discurso do rei Felipe VI perante o plenário do Parlamento Europeu, no qual, segundo ela, “nos lembrou que este não é um momento para hesitação ou complacência, mas um momento para responsabilidade”.
Embora, segundo ela, a UE não tenha ficado de braços cruzados nos últimos anos, como demonstra, por exemplo, o seu apoio à Ucrânia, reconheceu que “não é suficiente”. “O ritmo da mudança à nossa volta é mais rápido do que o ritmo das nossas decisões”, admitiu.
“Se a Europa quer moldar o seu próprio futuro, então temos de estar dispostos a pensar em grande, a avançar mais rapidamente e a aceitar que o progresso começa muitas vezes com aqueles que estão dispostos a avançar juntos”, salientou, apostando assim numa Europa a duas velocidades. “Deve ser o realismo pragmático a definir o nosso caminho”, sublinhou.
“Desde o Mercado Único e Schengen, passando pelo euro e pelas sucessivas ampliações, a Europa sempre cresceu porque alguns optaram por liderar e outros se juntaram quando estavam preparados”, sublinhou. “É assim que crescemos: abraçando a arte do possível, sem temer a mudança”, insistiu, salientando que “este é um desses momentos novamente”.
Assim, reforçou, a tarefa que a UE tem pela frente é estar à altura do momento, agindo de acordo com os valores europeus e “adaptando-se a este novo mundo sem perder o que faz valer a pena defender a Europa” e “fazendo-o juntos”. “Somos a Europa. E quando estamos juntos, somos imbatíveis”, salientou Metsola, que encerrou com estas palavras em espanhol a sua intervenção, que também iniciou falando nesta língua antes de passar para o inglês. ROLLÁN ADVERTE QUE A DEMOCRACIA “É UMA CONQUISTA DIÁRIA”
Antes de Metsola, interveio o presidente do Senado, Pedro Rollán, que alertou que a democracia “não é um estado de repouso”, mas “uma conquista diária”, salientando também que as democracias liberais “enfrentam ameaças” que “não compreendem as tensões” nem a “tentação de erguer muros” onde é necessário “construir pontes”.
“Nossa responsabilidade é defender esse legado com determinação”, sublinhou Rollán, reivindicando que “face ao cerco do populismo” é necessário “mais Parlamento”. “Aqueles que desejam ver-nos fracos procuram dividir-nos”, acrescentou.
A “capacidade” dos europeus para superar as “ameaças” que surgem na Europa “é posta à prova” nas fronteiras da Ucrânia, onde o povo “regam com o seu sangue” a defesa da liberdade, afirmou o presidente da Câmara Alta, que condenou a “invasão ilegal e impiedosa” que atacou “o coração” dos valores europeus.
“Não permitiremos que a força se imponha ao direito nem que o monólogo se imponha ao consenso”, defendeu Rollán, ao mesmo tempo que instou a dar resposta “ao que mais preocupa os europeus”, ou seja, “a segurança, a habitação, a autonomia estratégica, a inflação, a situação econômica” ou as políticas de imigração, “que devem ser reguladas e ordenadas”.
É por isso que exigiu uma resposta “conjunta e coordenada” com os 27 membros da União Europeia, uma instituição que deve ser “uma referência moral e política de uma ordem mundial estável e turbulenta”.
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