Europa Press/Contacto/BENOIT DOPPAGNE
BRUXELAS 18 jun. (EUROPA PRESS) -
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou nesta quinta-feira, em Bruxelas, que não concorda com a “linguagem” atribuída à Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, durante uma reunião a portas fechadas na qual ela teria comparado Israel ao apartheid sul-africano — o que levou o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, a romper os contatos com a chefe da diplomacia europeia.
“Não concordo com essa escolha de linguagem”, afirmou o conservador alemão ao chegar ao Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado e de Governo da UE em Bruxelas, ao ser questionado sobre as palavras polêmicas atribuídas a Kallas, embora a líder estoniana não tenha querido esclarecer se as proferiu ou não.
Os líderes da União Europeia pretendem dedicar parte da cúpula, na segunda sessão desta sexta-feira, à discussão da situação no Oriente Médio, em um momento em que cerca de uma dezena de países, incluindo a Espanha, pedem que a UE considere a imposição de sanções contra Israel.
Saar anunciou nesta mesma quinta-feira o rompimento de todo contato com a Alta Representante como retaliação às informações publicadas na semana passada pelo site europeu Euroactiv, que, citando fontes diplomáticas, afirmou que Kallas se referiu a Israel nesses termos.
Sobre o assunto, Merz limitou-se a dizer que é um tema que “ainda deve ser discutido” no seio do Conselho Europeu “de forma aprofundada”, mas ressaltou que não concorda com a “escolha de palavras” atribuída à chefe da diplomacia europeia.
Também ao chegar à cúpula, a própria Kallas foi questionada sobre a polêmica; no entanto, ela optou por não esclarecer se as declarações pelas quais Israel a critica foram ou não proferidas.
“Não vou comentar nada do que foi ou não foi dito a portas fechadas. Tenho que lidar com esse tipo de questão todas as semanas. Portanto, vamos nos ater às declarações que faço publicamente todas as semanas. Essa é a posição europeia que estou representando”, defendeu ela, em declarações à imprensa.
No entanto, Kallas reiterou sua posição como representante do bloco e reconheceu as divergências com o governo israelense, admitindo ter mantido conversas “abertas e difíceis”, embora tenha insistido na necessidade de manter os canais diplomáticos abertos.
“É verdade que nem sempre concordamos em todos os pontos de vista. Temos sido muito críticos e mantive algumas conversas abertas e difíceis, embora considere que tenham sido construtivas e que devamos seguir por esse caminho”, destacou.
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