Publicado 19/05/2026 09:49

Merkel incentiva a UE a “continuar regulamentando” as redes sociais e a IA, por representarem “um risco” para a democracia

A ex-chanceler da Alemanha, Angela Merkel, recebe a condecoração da Ordem do Mérito Europeu na sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo, França
DAINA LE LARDIC

Ela alerta que a paz na Europa “já não pode ser dada como garantida” após a invasão da Ucrânia e o retorno de Trump à Casa Branca

BRUXELAS, 19 maio (EUROPA PRESS) -

A ex-chanceler da Alemanha, Angela Merkel, encorajou a União Europeia a “continuar regulamentando” as redes sociais e a Inteligência Artificial (IA), ao considerar que elas colocam em risco a democracia porque, com elas, “a verdade pode ser apresentada como mentira e a mentira como verdade”, e exigiu que haja “prestação de contas” pela divulgação de informações falsas.

Durante um discurso na sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo (França), após receber a Ordem do Mérito Europeu, a conservadora alemã alertou que, embora “talvez se cometam erros”, o bloco comunitário deve seguir um caminho no qual “é pioneiro” e continuar regulamentando as redes sociais e a Inteligência Artificial.

"Nas redes sociais, a verdade pode ser apresentada como mentira e a mentira como verdade, o que coloca em risco a informação em toda a Europa. Essa situação é agravada pelo desenvolvimento da IA. Por isso, só posso encorajá-los a continuar regulamentando as redes sociais e também a Inteligência Artificial. Talvez se cometam erros, mas aprendemos com eles”, indicou durante sua intervenção.

Merkel rejeitou a postura daqueles que acreditam que “já não é necessário assumir a responsabilidade de divulgar informações” e “que não deve haver prestação de contas pelas mentiras”, pois, em sua opinião, isso “minaria a democracia”.

Em seu discurso, ela relembrou as “três promessas” feitas aos cidadãos dos Estados-membros com a Declaração de Schuman há 75 anos, que representou o primeiro passo para a atual União Europeia e que, em sua percepção, estão agora “sob pressão”. Ela citou como primeiro exemplo a paz, “normalizada” até que “chegou o ataque bárbaro da Rússia contra a Ucrânia”.

“Constatamos que ela não pode mais ser dada como garantida e que é frágil”, opinou a ex-ministra das Relações Exteriores alemã, que também observou que a nova doutrina de segurança dos Estados Unidos demonstra que a UE não pode ter a certeza que tinha antes. “Às vezes recorremos à dimensão de defesa da União Europeia, que não funcionou no início, mas essa promessa de paz permanecerá”, acrescentou.

A UE, “LONGE” DE SER O CONTINENTE MAIS FORTE

A segunda promessa “é a de prosperidade para nossos cidadãos”, que também está sob pressão, segundo Merkel, que lembrou que, no ano 2000, os chefes de Estado e de Governo se comprometeram em Lisboa a tornar a Europa “o continente mais forte e baseado na ciência do mundo”, um objetivo do qual, em sua opinião, o bloco comunitário “está longe”. “Ainda há muito trabalho a ser feito”, sublinhou.

A ex-chanceler alertou que, sem prosperidade econômica, a UE também não poderá “proteger o clima nem garantir a biodiversidade”, e defendeu que “a sustentabilidade e o sucesso econômico são condições prévias para que os cidadãos europeus percebam a Europa como um valor agregado”.

Nesse sentido, ela defendeu o relatório sobre competitividade do ex-presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, como um roteiro para que as instituições comunitárias trabalhem na recuperação desse potencial.

A terceira promessa é a da democracia, que Merkel definiu como “a dignidade humana, os direitos humanos, a dignidade de cada pessoa, os direitos das minorias e a cooperação multilateral no mundo”. “Não há liberdade sem democracia”, afirmou, antes de fazer uma ligação com sua advertência sobre as redes sociais e a IA como principais ameaças a este terceiro pilar fundamental da União.

Merkel recebeu uma ovação de pé no hemiciclo antes de proferir seu discurso e foi elogiada por seu papel como construtora de pontes entre o Leste e o Oeste da Europa.

A Ordem do Mérito Europeu foi criada no ano passado pela Mesa do Parlamento Europeu por ocasião do 75º aniversário da Declaração Schuman, tornando-se a primeira distinção civil desse tipo concedida por uma instituição da União Europeia. O prêmio reconhece as realizações de pessoas que contribuíram de forma significativa para a integração europeia ou para a promoção e defesa dos valores europeus.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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