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Trump vê a IA como um veículo de "dominação", e não como algo que pode contribuir para o bem comum, diz ele
BARCELONA, 13 out. (EUROPA PRESS) -
O jornalista norte-americano Brian Merchant, especialista em tecnologia e autor do livro 'Blood in the Machines' (Captain Swing), adverte sobre o impacto da mecanização sobre os trabalhadores, embora, em uma entrevista à Europa Press, ele afirme: "Não acho que veremos um apocalipse robótico".
Em seu livro, que estará à venda nesta segunda-feira, ele analisa a luta histórica dos trabalhadores contra a automação, comparando o movimento ludita apoiado por intelectuais como Lord Byron no século XIX com o impacto das novas tecnologias no presente.
"Não acho que veremos um apocalipse robótico. Talvez em 50 anos, talvez em 100 anos, talvez nunca. Acho que veremos uma série de cortes salariais nos setores industriais que são afetados pela automação", adverte.
Nesse sentido, o autor explica que a tecnologia está mudando a forma como produzimos, mas "no final, os trabalhadores não desaparecem, eles simplesmente são transferidos de um lugar para outro, da Inglaterra para Bangladesh, eles são transferidos até que a robótica ou a inteligência artificial (IA) possa satisfazer ou possa ser tão barata ou mais barata do que o trabalho humano".
O jornalista acredita que, nessa situação, "os sindicatos poderiam fazer mais, deveriam ser mais agressivos e criativos"; nos EUA, diz ele, eles são pouco mobilizados, o que é prejudicial para eles mesmos.
OS LUDITAS
O movimento ludita do século XIX, batizado em homenagem a Edward Ludd, que organizou ataques de guerrilha para destruir máquinas, aparece com destaque no livro de Merchant: "Eram movimentos organizados muito agressivos com uma metodologia clara. Não temos isso agora, mas há uma série de movimentos que estão começando a ferver".
Ele considera que esse ativismo está fazendo um bom trabalho, mas os proprietários de empresas "fragmentam e automatizam os trabalhadores para separá-los de várias maneiras e, portanto, há muitas pessoas que não sabem que estão no mesmo barco, que pertencem a uma determinada classe".
"O trabalho temporário e flexibilizado gera essa separação entre os trabalhadores e impede o desenvolvimento dessa consciência de classe", insiste ele.
Na época dos luditas, "era muito mais claro quem era o responsável, quais eram os objetivos, quem eram os patrões, e os trabalhadores trabalhavam lado a lado, conheciam-se, confiavam uns nos outros, compartilhavam a mesma vida cotidiana, as mesmas dificuldades e podiam sentir empatia e demonstrar solidariedade juntos".
ACÚMULO DE PODER NO VALE DO SILÍCIO
Quanto a onde uma revolução semelhante poderia surgir, ele explica que as condições teriam que ser "mais dramáticas" para que isso acontecesse hoje, embora ele veja movimentos nos EUA resistindo e pressionando contra o acúmulo de poder do Vale do Silício e o abuso do uso da IA, em suas palavras, bem como o ativismo emergente na França ou no Brasil.
Ele acredita que o presidente dos EUA, Donald Trump, está travando uma "batalha aberta para impedir e vetar qualquer tentativa de regulamentar a IA de forma sensata, mas isso está fazendo com que as pessoas odeiem e desconfiem cada vez mais da tecnologia".
"O governo Trump vê a IA como um veículo de dominação, não como algo que possa contribuir para o bem comum ou social", critica.
"DANDO MAIS PODER ÀS PESSOAS"
O livro relembra o apoio que alguns intelectuais deram aos trabalhadores no século XIX, enquanto hoje a mídia independente e os formadores de opinião estão tentando combater a desinformação: "Acho que há muito trabalho a ser feito para descobrir como dar mais poder e mais voz às pessoas", diz o escritor.
Merchant expressa preocupação com o futuro do jornalismo: "Há cada vez menos espaço para a voz humana, há uma erosão contínua e acelerada da IA que vai piorar nosso trabalho.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático