Europa Press/Contacto/Marco Iacobucci
MADRI, 22 jul. (EUROPA PRESS) -
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou nesta quarta-feira que o país conseguiu mudar a gestão da migração na Europa, destacando que o modelo de seu governo está ganhando espaço, ao mesmo tempo em que estabeleceu como próximo objetivo modificar as políticas ambientais.
“Tínhamos prometido aos italianos que mudaríamos a Europa na gestão dos fluxos migratórios, e estamos fazendo isso. O regulamento de repatriação é uma das demonstrações mais evidentes”, afirmou a líder italiana em entrevista ao jornal ‘Il Giornale’, referindo-se ao pacto europeu de migração e asilo.
Meloni ressaltou que a normativa aprovada em nível comunitário “permite repatriar mais rapidamente aqueles que não têm direito de permanecer entre nós e permite abrir centros de repatriação em países terceiros, seguindo, de fato, o caminho aberto pela Itália com o acordo com a Albânia”, destacando a influência de Roma na legislação europeia.
Nesse contexto, ela se orgulhou de que a legislação tenha sido aprovada por uma maioria de centro-direita, o que, em sua opinião, demonstra o quão minoritárias são as posições do Partido Democrático e da esquerda italiana, a oposição à coalizão tripartite de direita italiana.
“O modelo da centro-direita italiana está conseguindo influenciar de forma concreta as dinâmicas europeias e esperamos fazer o mesmo em outros assuntos, como, por exemplo, no Pacto Verde”, afirmou, colocando em foco a política ecológica da Europa, após destacar que é necessária uma Europa “que responda de forma concreta às necessidades de seus cidadãos e de suas empresas”.
QUEDA DA MIGRAÇÃO
Nesse sentido, questionada sobre a queda no número de migrantes que chegam à Itália, a primeira-ministra destacou como “um fato” que seu governo deu “uma reviravolta incrível” na questão migratória. “Freamos de uma vez por todas o aumento descontrolado da imigração ilegal que vínhamos observando há anos e podemos afirmar, sem medo de sermos desmentidos, que a Itália não é mais o campo de refugiados da Europa”, afirmou.
Apesar de denunciar “obstáculos” e “boicotes”, Meloni destacou que seu governo reduziu “drasticamente” os desembarques em suas costas e aumentou “notavelmente” os repatriamentos. “Mas, obviamente, queremos fazer mais, para consolidar essa abordagem e transformá-la em algo estrutural”, indicou.
EXCLUIR DA INDENIZAÇÃO CIVIL AQUELES QUE COMETEREM CRIMES
Com relação ao polêmico caso de Mario Roggero, um joalheiro de 72 anos condenado a quase 15 anos de prisão por matar dois ladrões e ferir outro que assaltaram sua loja, Meloni defendeu a proposta de uma nova lei de segurança que exclui a possibilidade de reivindicar indenizações civis contra pessoas no âmbito dos crimes que cometeram.
“É uma medida de bom senso, para evitar que uma pessoa que se defendeu possa ser condenada duas vezes, correndo ainda o risco de perder o fruto do trabalho de toda uma vida e acabar na ruína”, afirmou ela sobre o caso que gerou enorme controvérsia na Itália, com os partidos de direita disputando o apoio ao joalheiro.
Meloni enfatizou isso, em uma clara referência ao caso de Roggero. “Se você entrar na minha casa para me roubar, me sequestrar ou agredir a mim ou à minha família e, ao fazer isso, sofrer algum dano porque eu reagi, eu responderei pelas possíveis responsabilidades penais, mas você, em qualquer caso, não tem o direito de reivindicar qualquer indenização por via civil”, afirmou.
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